Pela primeira vez nos Estados Unidos uma mulher com útero transplantado deu à luz um bebê saudável na cidade de Dallas, Texas. O parto aconteceu em novembro, no Centro Médico da Universidade de Baylor, mesmo local onde aconteceu o Transplante, em outubro de 2016. A mãe, que havia nascido sem o órgão, recebeu o útero de uma doadora viva.

O nome da mulher, bem como seu sobrenome e a data precisa de nascimento do bebê estão sendo preservados a pedido da família. Trata-se do 9º parto no mundo realizado com sucesso em uma pessoa que teve o útero transplantado; anteriormente, os procedimentos apenas haviam sido feitos no Hospital Universitário Sahlgrenska, em Gotemburgo, na Suécia.

O primeiro parto no mundo se deu em 2014. A mãe, de 36 anos, havia recebido o útero de uma amiga com mais de 60 anos de idade e engravidou por meio de fertilização in vitro. Normalmente, as doadoras são familiares próximas das receptoras, para que haja mais chances de compatibilidade do órgão - em 2012, duas mães doaram seus úteros às filhas, também na Suécia.

O primeiro transplante de útero bem-sucedido foi noticiado em 2000, na Arábia Saudita, mas o órgão precisou ser removido depois de três meses, devido a um coágulo de sangue.

No Centro Médico, além da cirurgia a que se submeteu a nova mãe, foram realizados outros 7 transplantes de útero como parte de um projeto que pretende incluir, inicialmente, 10 mulheres com idades entre 20 e 35 anos. Entre elas, outra paciente também está grávida e há mais duas tentando conceber - sendo que apenas uma delas recebeu o útero de alguém que já havia falecido.

Segundo o cirurgião e pesquisador Giuliano Testa, houve falhas em 4 casos, fazendo com que os órgãos tivessem de ser removidos após a cirurgia por deficiências no fluxo sanguíneo.

Os médicos envolvidos nas operações ressaltam que os transplantes são temporários, devendo durar apenas o tempo suficiente para que a pessoa não apta a engravidar possa ter um ou dois filhos. Após esse período, o útero deve ser removido a fim de que a paciente não precise continuar a tomar medicamentos imunossupressores com o objetivo de evitar a rejeição.

Os avanços desses procedimentos aumentam as esperanças de mulheres que, por motivos diversos [VIDEO], não podem engravidar. Em julho deste ano, médicos britânicos chegaram a afirmar que mulheres transgêneras - ou seja, que foram consideradas biologicamente como do sexo masculino - poderão também ser contempladas pelo transplante em cerca de dez anos.