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Nesta quinta-feira (14), a Nasa (sigla para National Aeronautics and Space Administration) anunciou em seu site que descobriu [VIDEO] um oitavo exoplaneta circulando a estrela conhecida como Kepler-90, situada a 2.545 anos-luz da Terra (essa distância equivale a aproximadamente 24,08 quatrilhões de quilômetros), o que faz com que aquele sistema estelar seja o primeiro já encontrado [VIDEO] a se equiparar com o nosso no que diz respeito ao número de planetas orbitando um único astro.

O sistema Kepler-90 já era conhecido pela agência espacial americana, mas o novo mundo localizado, que recebeu a nomenclatura Kepler-90i, só foi descoberto porque a NASA utilizou a inteligência artificial criada pelo Google (chamada de "Google AI"), que possui a capacidade de "aprender".

Para tanto, os pesquisadores Andrew Vanderburg e Christopher Shallue "treinaram" um computador para que a máquina aprendesse a identificar exoplanetas utilizando dados coletados pelo telescópio espacial Kepler.

Ensinando a inteligência artificial

O telescópio Kepler encontra mundos distantes através de um método conhecido como "transito", que consiste em analisar leituras de luz provenientes de estrelas. Toda vez que um planeta passa pela frente de seu astro mãe – em relação ao campo de visão do telescópio –, causa uma diminuição do brilho estelar (uma analogia que pode ser empregada é a de um pequeno inseto passando em frente a um grande holofote), e por mais ínfima que seja, essa redução de luz pode ser detectada por um instrumento muito sensível do Kepler conhecido como fotômetro.

O vídeo a seguir ilustra o método:

A rede neural do Google aprendeu a localizar mundos distantes depois que foi alimentada com um conjunto de 15 mil sinais previamente examinados, identificando corretamente exoplanetas reais e falsos positivos em 96% das vezes.

Depois que o padrão foi "compreendido", a inteligência artificial passou a ser empregada na procura por possíveis corpos celestes que haviam escapado à detecção – especialmente nos casos de estrelas com mais de um planeta –, e foi "peneirando" essas informações que veio a surpresa: a Google AI conseguiu encontrar sinais de trânsito muito fracos que não haviam sido percebidos antes, revelando que havia um oitavo exoplaneta orbitando o sistema Kepler-90, que se encontra na direção da Constelação Draco (Dragão).

O novo planeta

Kepler 90i é o terceiro planeta em distância a orbitar sua estrela – assim como a Terra orbita o Sol –, e também é rochoso. No entanto, as semelhanças param neste ponto.

O exoplaneta é 30% maior do que o nosso mundo, e leva apenas 14,4 dias para dar uma volta completa em torno de seu astro mãe. Além disso é muito quente: sua superfície escaldante apresenta temperaturas de aproximadamente 426°C – as mesmas encontradas em Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol.

Segundo o astrônomo Andrew Vanderburg, que trabalha para a NASA e é pesquisador da Universidade do Texas, se for feita uma comparação em tamanho com o Sistema Solar, pode-se dizer que o sistema Kepler-90 é uma espécie de "miniatura" do nosso: embora os planetas estejam alinhados da mesma forma (os pequenos mais próximos e os maiores mais distantes da estrela), o mundo mais longínquo – Kepler-90h – encontra-se em uma distância semelhante à que a Terra está do Sol.