Desde que a Febre Amarela voltou a circular no país, o Ministério da Saúde passou a promover o Programa Nacional de Imunizações e muitas pessoas estão em dúvida se podem ou não ser imunizadas. Quando a questão envolve mulheres grávidas, bebês recém-nascidos, ou ainda as lactantes, o cuidado tem que ser especial [VIDEO].

A infectologista Rosana Ritchmann, do Hospital e Maternidade Santa Joana, na cidade de São Paulo, concedeu entrevista para a 'Revista Crescer' e esclareceu algumas das principais dúvidas relacionadas à Febre Amarela. Confira abaixo:

1. Bebês menores de 6 meses não podem tomar a vacina

Como a vacina é composta do vírus da Febre Amarela atenuado, bebês abaixo de 6 meses podem ter reações graves e por isso o Ministério da Saúde não considera o uso da vacina mais benéfico.

A imunização de rotina é iniciada em bebês com mais de 9 meses de vida.

2. Lactantes com bebês que tem menos de 6 meses e que necessitam tomar a vacina precisam ficar sem amamentar por 10 dias

Caso a lactante necessite tomar a vacina contra Febre Amarela, precisará ficar sem amamentar o bebê com menos de 6 meses de vida, por 10 dias, depois de ter sido imunizada. Para se precaver, a mãe deve estocar o leite materno, fazendo a sua extração e armazenamento correto (congelar), 5 dias antes da imunização. A validade do leite materno depois de ser congelado, é de 15 dias [VIDEO]. A lactante depois que tomar a vacina, deve extrair o leite durante o período no qual está impedida de amamentar, para evitar que o leite empedre ou seque.

3. Crianças com menos de 2 anos e grávidas que residem em regiões de risco precisam tomar a dose padrão

Em regra, as gestantes não podem se vacinar contra Febre Amarela, entretanto aquelas que residem em regiões com risco de contrair a doença, devem realizar a imunização com a dose padrão da vacina.

As crianças que tem mais de 6 meses de vida até 2 anos de idade, que residirem em regiões com alto risco, também devem tomar a dose padrão. Isto porque, nesses grupos de pessoas, não foram realizados testes com a dose fracionada, e por isso não se sabe se ela terá o efeito desejado.

4. Mães que amamentam bebês maiores de 6 de seis meses podem tomar a vacina

Nesse caso, não existe contraindicação da dose fracionada, inclusive não será necessário interromper a amamentação, mesmo porque o bebê que já tem mais de 6 meses, também já está apto a receber a imunização contra Febre Amarela.

5. Caso a mãe contraia a Febre Amarela e estiver amamentando, deve parar a amamentação imediatamente

A lactante que por ventura contraia o vírus da Febre Amarela, precisa interromper a amamentação. Isto porque, existe um risco de transmissão através do leite materno, na fase chamada viremia, que ocorre nas 48 horas anteriores aos sintomas e em até 5 dias após os sintomas.

6. A dose única está sendo aplicada até o momento

Para crianças que tomaram a primeira dose da vacina e tem a segunda dose agendada para depois de completar 5 anos, não terão que se vacinar novamente.

7. Efeitos colaterais da vacina em grávidas

A vacina de Febre Amarela, possui alguns efeitos colaterais. Existem os efeitos que são esperados pelos especialistas e atingem 15% dos que se vacinaram, são eles: febre, náuseas, vômitos, dor no corpo e dor de cabeça. Entretanto existem os efeitos mais graves, que são mais raros de ocorrer e podem gerar doença viscerotropica, derrame abdominal e pleural ou falência múltipla dos órgãos. As grávidas não estão incluídas nos grupos em que podem ter as reações mais graves.

8. A transmissão da Febre Amarela Urbana e Silvestre

Atualmente os casos de Febre Amarela estão sendo ocasionados pelo mosquito transmissor da modalidade silvestre, que é o Haemagogus. Para a Febre Amarela da modalidade urbana, o vetor é o Aedes Aegypt, e desde o ano de 1942 não existem casos registrados dessa modalidade. O Ministério da Saúde tem tomado todas as medidas para que o vírus, não tenha o mosquito Aedes Aegypt como transmissor, pois caso isso ocorresse, a Febre Amarela poderia se tornar uma epidemia.