As tecnologias digitais estão cada dia fazendo mais parte do dia a dia, ajudando as pessoas na hora de estudar, de se comunicar com aquele parente que mora longe ou apenas para entreter nas horas livres. Por conta do uso entre a população mundial só aumentar com o decorrer dos anos, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e especialistas de vários países vêm analisando há alguns anos a forma como jovens e adultos podem mudar seus hábitos, saúde e atividades quando estão fazendo uso dos aparelhos.

O primeiro destes aparelhos digitais a entrar no próximo CID (Classificação Internacional de Doenças) será o videogame, que no documento oficial levará o nome de “distúrbio de games”, uma nova doença psicológica que é afetada principalmente por crianças e adolescentes.

Esses distúrbios, segundo o documento da OMS, são caracterizados por:

- Perda de controle, tempo e intensidade que está jogando Videogame.

- Priorizar o videogame, deixando de lado outros afazeres e a vida social.

- Aumentar constantemente o tempo na frente do videogame, mesmo após ter tido consequências negativas deste hábito.

O médico Richard Graham, especialista em psiquiatria adolescente e infantil por mais de 15 anos e atualmente especialista em vícios da tecnologia pelo Hospital de Nightingale, em Londres, na Inglaterra, reconhece os benefícios que essa nova decisão da OMS pode gerar. Segundo ele, esse distúrbio tem que ser colocado no mapa de algo a ser levado mais a sério e com essa nova CID haverá mais serviços especializados. Mas, para ele, isso não pode fazer com que todo caso seja de distúrbio ou vício.

Muitas vezes os pais apenas têm filhos que estão empolgados em jogar videogame.

Graham encontrou cerca de 50 casos de distúrbios de games e aconselha como critério para analisar os pacientes ou se autoanalisar verificar se o videogame está afetando o paciente para realizar as tarefas básicas, como comer, dormir, estudar. Se o caso for sim, a pessoa provavelmente precisa de uma ajuda profissional.

Outros países, antes desta nova classificação, já tinham tomado medidas mais sérias para combater o distúrbio. Nações como Japão, China e Coreia do Sul já utilizam advertências, limite de horas e horário que a pessoa não pode jogar se tiver menos de 18 anos. São formas de regular o uso e prevenir o vício de milhões de crianças e jovens que possuem videogame.

Pesquisas feitas na Universidade de Oxford, no Reino Unido, mostraram que as crianças que passam mais horas em frente às telas não representa necessariamente um vício. Killian Mullan, um dos pesquisadores, afirma que as descobertas têm mostrado que a tecnologia está aí para ajudar a realizar outras tarefas, como, por exemplo. limpar a casa. Elas não irão impedir tanto crianças quanto adultos de realizar as outras tarefas, finalizou.