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Yoshinori Ohsumi, biologista celular, além de pesquisador na Universidade de Tóquio e respeitado na área médica, é detentor do Prêmio Nobel de Medicina de 2016. Ele estudou a autofagia. O termo autofagia vem do grego: significa ‘’comer a si mesmo’’.

O termo já é conhecido há décadas no meio científico, mas até a conclusão da pesquisa de Yoshinori não se conhecia o funcionamento desse processo. O pesquisador japonês descobriu com seus estudos que a autofagia permite a reciclagem das células degradadas do corpo humano, através da renovação de proteínas [VIDEO] e organelas.

Esta degradação gera outra ação. “Após 30 minutos de fome, muitas vesículas apareceram e se acumularam no vacúolo”, explica Ohsumi.

Jejum intermitente, forma ideal de promover a saúde

Três refeições diárias - café da manhã, almoço e jantar, como sempre fizeram os antepassados – são suficientes para promover a saúde. Elas dão corpo um tempo maior para processar o alimento, permitindo a autofagia. Este processo natural do organismo em que a autodegradação das células elimina componentes tóxicos e desnecessários ao corpo é prejudicado quando se ingere alimentos com muita frequência.

Comer entre as refeições é um hábito antinatural que sobrecarrega as funções digestivas e em nada contribui para uma boa saúde. É onde entra o jejum intermitente. Já se faze isso de forma involuntária quando se descansa do jantar e, após uma noite de sono, ingere-se o café da manhã somente no dia seguinte. Isso imputa ao organismo um jejum de 12 horas, automático, ao menos uma vez ao dia.

Obesidade, o grande mal do século XXI

O índice de obesidade dobrou no mundo nos últimos trinta anos. “As pessoas comem o tempo todo. Às vezes , cinco ou mais vezes ao dia. Isto é alarmante. Elas estão obesas e doentes como nunca”, diz Rodrigo Polesso, especialista em nutrição otimizada pela Universidade Estadual de San Diego (EUA).

Então, estudando detalhadamente um processo natural do corpo, Yoshinori Ohsumi acabou por gerar um novo debate e deve agora eliminar as controvérsias em torno dessa questão sobre qual seria a forma de se alimentar corretamente.

Ele ainda foi mais longe

Segundo o cientista, a autofagia, além de combater os malefícios do envelhecimento, prolongando a juventude, ajuda na cura do mal de Parkinson e diabetes tipo 2, pois fornece combustível para a renovação celular. Resumindo, praticando o jejum intermitente, através de períodos relativamente longos sem comer, o corpo faz com que as células pratiquem a autofagia, ou seja, elas comem a si mesmas, otimizando a renovação celular pelo processo da reciclagem.

O pesquisador da universidade de Tóquio conseguiu deixar evidenciado por suas pesquisas meticulosas que comer várias vezes ao dia não contribui em nada para o metabolismo, não emagrece e ainda faz envelhecer precocemente.