Uma mulher transgênera [VIDEO] em Nova York conseguiu produzir leite após passar por tratamento médico, amamentando seu filho recém-nascido e sendo sua única fonte de alimento por 6 semanas. Este é o primeiro registro formal de um caso de produção de leite por uma mulher trans, sendo reportado em um artigo escrito pela médica endocrinologista Dra. Tamar Reisman e pela enfermeira Zil Goldstein, ambas do Centro para Medicina e Cirurgia Transgênero Mount Sinai, e publicado no jornal Transgender Health em fevereiro.

O tratamento foi desenvolvido após uma mulher transgênera, de 30 anos e que teve seu nome preservado, procurar a equipe do hospital para dizer que gostaria de amamentar o bebê que sua parceira iria dar à luz, pois esta não queria passar pela experiência.

A médica, então, submeteu a paciente ao mesmo tratamento oferecido a mães adotivas ou que contratam barriga de aluguel, envolvendo maior dosagem de hormônios, um bloqueador de testosterona, estímulo dos seios com aparelhos de sucção e um medicamento anti-náusea que aumenta a produção do leite. Esta última droga é proibida nos Estados Unidos justamente por intensificar a lactação em mulheres que acabaram de dar à luz e, por esse motivo, teve de ser obtida no Canadá.

A mulher trans, que toma progesterona desde 2011, não passou pela cirurgia de redesignação genital (motivo pelo qual foi capaz de engravidar sua parceira, obviamente). Depois de um mês do tratamento, ela começou a lactar, inicialmente produzindo baixas quantidades, mas aumentando a quantidade nos três meses seguintes. A duas semanas do parto, ela estava produzindo 240ml de leite por dia, o suficiente para ser a única fonte de nutrição do bebê.

A criança foi amamentada por 6 semanas, mas com a redução da quantidade do leite produzido pela mãe, o casal optou por suplementar a nutrição com uma fórmula tradicional. Durante o tempo em que o bebê foi exclusivamente amamentado, o pediatra responsável pelo acompanhamento relatou que a alimentação supria todas as necessidades do recém-nascido, que se desenvolveu normalmente.

Segundo a Dra. Tamar Reisman, o caso é extremamente importante e traz uma nova dimensão à medicina que se dedica a atender pessoas transgêneras [VIDEO]. Por ter sido um tratamento experimental, há ainda diversas incertezas e parte dos riscos envolvidos permanece desconhecida, já que não existe nenhuma literatura médica abordando o tema. Essa ocorrência pode ser um ponto de partida para que pesquisadores comecem a se perguntar sobre o processo de amamentação em mulheres trans e como ele pode ser tornado mais seguro pela própria medicina.