A necessidade de comer doces, em especial o chocolate, é um relato comum nas mulheres que estão na tensão pré-menstrual. Muito mais que um conhecimento de senso comum, estudos científicos demonstraram que as alterações hormonais do período menstrual levam da saciedade ao consumo exagerado de doces, principalmente do #chocolate.

A observação de que o #ciclo hormonal [VIDEO] pode influenciar na alimentação feminina não é recente. Desde 1913, após um artigo publicado na revista The Anatomical Record (edição 7: 183–194) que mostrou a diferença no consumo de calorias entre modelos experimentais machos e fêmeas (o que era espetacular e novo para a época) a ciência buscou compreender esse fenômeno.

O ciclo menstrual dura em média 28 dias (pode variar de 20 a 45 dias) e pode ser dividido em duas fases: folicular e lútea. A fase folicular compreende os primeiros 14 dias antes da ovulação, momento em que ocorre a liberação de grande quantidade de estradiol (“pico do estradiol”), além do FSH e LH que não comentarei neste artigo. A partir da ovulação no 14º dia, inicia-se a fase lútea, que prepara o corpo lúteo para receber o óvulo fecundado. Diferente da outra fase, na lútea há aumento na produção de progesterona. Assim, o estradiol e a progesterona podem ter efeitos importantes sobre a fome.

Os hormônios agem no corpo humano por meio de sinalizadores celulares, chamados receptores, que estão distribuídos em todo o organismo. Isso significa que além dos órgãos reprodutivos (útero, ovários, etc), os hormônios atuam em órgãos não reprodutivos (cérebro, coração, pulmões, etc).

Menstruação e alimentação

A Revista European Journal of Nutrition (edição 55(3):1181-8) avaliou a alimentação durante o período menstrual em mulheres negras e brancas saudáveis, de 18 a 44 anos e que não faziam uso de nenhum medicamento ou suplemento alimentar.

Durante todo o clico menstrual o consumo calórico total entres as mulheres foi semelhante, entretanto houve mudança no tipo de alimentação consumida. Na fase lútea, logo após a ovulação, houve aumento no consumo de proteínas animal (carnes), doces e principalmente do chocolate.

Por que o chocolate?

Reza a lenda que em 1648 um bispo da cidade de Chiapas no México proibiu as mulheres de consumirem chocolate quente na igreja, um costume típico da época. A afronta foi tão grande que o bispo foi assassinado com uma taça de chocolate quente envenenado. Por isso, nunca proíba mulheres de comer chocolate.

O chocolate está presente na alimentação de grande parte do mundo e, em geral, se recomenda o consume dos tipos com maior porcentagem de cacau (meio amargo e amargo) para os efeitos benéficos na saúde.

O Dr. Gary L. Wenk em seu livro Your Brain and food relata que o chocolate contém fenetilamina, um neurotransmissor que se assemelha à anfetamina, responsável pela sensação de felicidade.

No organismo, esse neurotransmissor é rapidamente metabolizado por uma enzima chamada MAO (Monoamina oxidase) e cerca de 50% da fenetilamina consumida são metabolizadas em apenas dez minutos, ou seja, atingi rapidamente o cérebro. Interessantemente, os níveis da enzima de MAO estão no seu nível mais baixo em mulheres na fase pré-menstrual, momento em que as mulheres mais desejam os efeitos calmantes do chocolate.

Outro fator interessante é que o estradiol reduz a produção de grelina, um hormônio peptídico produzido nas céculas do estômago e pâncreas que sinaliza para o cérebro a sensação de fome quando o estômago está vazio. Os pesquisadores Lori Asarian e Nori Geary sugeriram, por meio de um artigo publicado na American Journal of Physiology (Dec 1; 305(11): R1215–R1267), que a redução do estradiol, como ocorre na fase lútea, aumenta a produção de grelina e por isso a necessidade de comer.

Portanto o consumo de chocolate, preferencialmente meio amargo e amaro, durante a fase lútea do ciclo menstrual promove uma sensação de bem estar na saúde da mulher, contribuindo para a qualidade de vida feminina.