A obesidade infantil é um dos mais graves desafios de saúde pública do século XXI. Houve um aumento fenomenal nas proporções de crianças com obesidade nas últimas 4 décadas, especialmente no mundo desenvolvido. Já atinge níveis de surtos tanto em países de primeiro mundo, quanto em países em desenvolvimento.

São inúmeros os malefícios a saúde física e psicológica de crianças com obesidade, podendo afetar o bem-estar socioemocional e a auto-estima [VIDEO]. O sobrepeso também está associado a um desempenho acadêmico fraco e a uma menor qualidade de vida dessas crianças.

Estudos comprovam que as crianças com sobrepeso e obesidade permanecem obesas na idade adulta e, em consequência disso, mais propensas a desenvolver doenças como diabetes, doenças cardiovasculares, doenças metabólicas, ortopédicas, neurológicas, hepáticas, pulmonares e renais.

3 fatores que podem influenciar a obesidade infantil

1.Influência dos familiares e estilo de vida dos pais

As crianças aprendem modelando as preferências dos pais e familiares. A disponibilidade e a exposição repetida a alimentos saudáveis ​​são fundamentais para o desenvolvimento de preferências e podem superar o desagrado dos alimentos. O horário das refeições é de extrema importância, evidenciando que as famílias que comem juntas consomem alimentos mais saudáveis.

Os tipos de alimentos disponíveis na casa e as preferências alimentares dos membros da família podem influenciar os alimentos que as crianças comem. Além disso, as refeições familiares podem influenciar o tipo de alimento consumido e a quantidade deles. Por fim, os hábitos familiares, sejam eles sedentários ou fisicamente ativos, influenciam a crianças.

2. Nível de Atividade e sedentarismo infantil

Um dos fatores mais vinculados à obesidade é um estilo de vida sedentário. Cada hora adicional de televisão por dia aumentou a prevalência de obesidade em 2%. A exibição de televisão entre crianças pequenas e adolescentes aumentou dramaticamente nos últimos anos. O aumento do tempo gasto em comportamentos sedentários diminuiu a quantidade de tempo gasto na atividade física. Pesquisas que indicam o número de horas que as crianças passam assistindo a TV se correlacionam com o consumo dos produtos mais anunciados, incluindo cereais açucarados, doces, bebidas açucaradas e lanches salgados.

3. Fatores sócio-culturais

Fatores sócio-culturais também foram encontrados para influenciar o desenvolvimento da obesidade. Nossa sociedade tende a usar a comida como uma recompensa, como meio de controlar os outros, e como parte da socialização. Esses usos dos alimentos podem estimular o desenvolvimento de relacionamentos não saudáveis ​​com os alimentos.

3 graves consequências da Obesidade infantil

A obesidade infantil pode afetar profundamente a saúde física das crianças, o bem-estar social e emocional e a auto-estima, além de sofrerem com bullying, podendo causar traumas irreversíveis, também está associado a um desempenho acadêmico fraco e a uma menor qualidade de vida das crianças.

1. Consequências Médicas

A obesidade infantil tem sido associada a numerosas condições médicas. Estas condições incluem, a doença hepática gordurosa, apneia do sono, diabetes tipo 2, asma, esteatose hepática (doença hepática gordurosa), doenças cardiovasculares, colesterol elevado, (cálculos biliares), intolerância à glicose e resistência à insulina, condições de pele, anormalidades menstruais, comprometimento do equilíbrio e problemas ortopédicos. Alguns continuam a ter consequências negativas ao longo da idade adulta, como infertilidade, cegueira proveniente da diabetes, doenças cardíacas, disfunções motoras e nos piores casos, algumas dessas condições de saúde podem resultar em morte

2. Conseqüências sociais e emocionais

A obesidade foi descrita como sendo "uma das condições mais estigmatizantes e menos socialmente aceitáveis ​​na infância". As crianças com sobrepeso e obesidade são muitas vezes provocadas e/ou intimidadas pelo peso. Eles também enfrentam muitas outras dificuldades, incluindo estereótipos negativos, discriminação e marginalização social. A discriminação contra indivíduos obesos foi encontrada em crianças de até dois anos de idade.

As crianças obesas são muitas vezes excluídas das atividades, particularmente atividades competitivas que requerem atividade física. Muitas vezes, é difícil para as crianças com excesso de peso participar de atividades físicas, pois tendem a ser mais lentas que os outros e enfrentam falta de ar. Esses problemas sociais negativos contribuem para a baixa auto-estima, baixa autoconfiança e uma imagem corporal negativa em crianças e também podem afetar o desempenho acadêmico.

Todos os efeitos negativos acima mencionados de excesso de peso e obesidade podem ser devastadores para crianças e adolescentes, pois os mesmos, são excluídos de algumas atividades, isso por sua vez, acaba os desestimulando a prática dos exercícios, resulta inevitavelmente em ganho de peso, já que a quantidade de calorias consumidas excede a quantidade de energia queimada.

3. Consequências Acadêmicas

Um estudo de pesquisa concluiu que crianças com sobrepeso e obesidade eram quatro vezes mais propensas a reportar problemas de rendimento na escola do que crianças de peso normais. Também são mais propensos a faltar à escola com mais frequência, especialmente aqueles com condições de saúde crônicas como diabetes e asma, o que também pode afetar o desempenho acadêmico.

O melhor caminho ainda é a prevenção

Pais que mantêm um estilo de vida mais saudável em casa tendem a ter filho mais saudáveis e prevenindo a obesidade infantil. O que as crianças aprendem em casa sobre comer saudável, exercitar-se e fazer as escolhas nutricionais corretas eventualmente se espalhará em outros aspectos de sua vida. Isso terá a maior influência nas escolhas que as crianças fazem ao selecionar alimentos para consumir na escola e restaurantes de fast food e optar por ter um estilo de vida mais ativa e saudável.