Nessa quarta-feira, dia 14, ocorreu mais uma sessão da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Assembleia Legislativa de São Paulo que investiga irregularidades nos testes em humanos da chamada Pílula do Câncer. Nesta sessão foi ouvido o médico oncologista Paulo Hoff, que coordena o estudo que está sendo efetuado no Icesp (Instituto do Câncer de São Paulo).

Um dos pontos mais cruciais desta sessão foi Hoff ter assumido que não havia teste de farmacocinética [VIDEO] (estudo essencial para se definir a dosagem), utilizando como principal argumento a urgência que se tinha para se testar a Fosfoetanolamina sintética.

O diretor geral do Icesp, ao ser questionado pelo deputado Ricardo Madalena (PR) , relator da CPI, como decidiu que os pacientes deveriam tomar três cápsulas simultâneas apenas uma vez por dia, o médico afirmou que foi um erro clérigo.

De acordo com o pesquisador e biomédico Roger Chammas em sessões anteriores, a farmacocinética e a dosagem de um medicamento em teste é algo crucial para uma pesquisa com o mínimo de confiabilidade.

Vale ainda lembrar que a pesquisa foi suspensa por Paulo Hoff apenas 10 dias depois de ajustarem a dosagem para três cápsulas por dia (manhã, tarde e noite) e, de acordo com o oncologista, pacientes não estavam obtendo melhora.

Gilberto Chierice, químico analítico que desenvolveu a pílula do câncer na USP/São Carlos (Universidade de São Paulo), afirmou que foi temerário dar três cápsulas (1.500mg) de uma única vez a pacientes com câncer já em estágio avançado da doença. Isto porque a fosfoetanolamina sintética ao ser metabolizada no fígado precisa se juntar a ácidos graxos.

Caso não ocorra essa metabolização, o que sobra da substância é expelida pelo organismo, ou seja, não apresentaria nenhuma ação antitumoral.

Outro ponto que chamou atenção dos deputados foi o motivo de apenas um grupo de pacientes estar completo (grupo de câncer no cólon).

Todos os outros grupos não haviam a quantidade de pessoas suficientes para se gerar dados confiáveis sobre a eficiência ou não da fosfoetanolamina sintética. Ainda na mesma sessão, Paulo Hoff cita um medicamento chamando de milagroso que foi aprovado nos testes ainda na primeira fase e com pacientes no mesmo estágio da doença dos testes com a fosfoetanolamina [VIDEO].

Este medicamento chama-se Imatinibe, onde o paciente precisa desembolsar nada mais de R$ 20 mil por dia. Vale ainda lembrar que uma das exigência do professor Gilberto Chierice é que a fosfoetanolamina sintética seja distribuída gratuitamente pelo governo ou cobrado o preço de custo da substância, o que sairia para um paciente com câncer a média de R$ 200 por mês.