Quando o assunto é transtorno de personalidade sempre alguém irá colocar em dúvida o sofrimento alheio. Essa pessoa vai dizer que isso “é frescura”, “é manha”, alguns irão desconfiar se “é tudo isso mesmo?!”. Tem sempre aquela frase clássica “... na minha época isso não existia”.

Enfim, acreditem essas pessoas – poucas, é verdade - ou não, a Psiquiatria e a Psicologia cada dia mais têm evoluído nos diagnósticos e no tratamento desses males que tanto sofrimento tem causado às pessoas. No caso do Transtorno borderline são mais de 2 milhões de casos por ano no Brasil. Fonte: Hospital Albert Einstein.

Independente de classe social, raça, religião, etc, etc, etc, todos [VIDEO] corremos o risco de, em algum momento da vida, perceber-nos fracos, perdidos, com um sentimento de insegurança, de um vazio gigantesco e sem vontade de fazer qualquer coisa – como se a bateria estivesse descarregada – e, por outro lado, com uma vontade incontrolável de apertar o “OFF ” .

Dentre os vários transtornos de personalidade existentes (como, por exemplo, o TOC [VIDEO] – Transtorno Obsessivo-Compulsivo, bastante conhecido [VIDEO]) um deles destaca-se por ser, talvez, um dos mais estranhos dessa imensa lista: o Transtorno Borderline (também conhecido como Limítrofe).

A pessoa que tem esse transtorno, geralmente, tem mudanças rápidas de humor, sofre com um medo enorme de ser abandonado (por qualquer pessoa do seu círculo de relacionamentos: família, amigos, trabalho) chegando a ter atitudes, no mínimo, questionáveis, para evitar que esse abandono venha a ocorrer.

É importante deixar bem claro que, na maioria das vezes, esse risco não existe. Trata-se apenas de um sentimento e a pessoa passa a acreditar totalmente nele. Assemelha-se à falta de ar numa crise de síndrome de pânico.

A sensação é a de que acabou o oxigênio no mundo!

Veja alguns sintomas desse transtorno que tem dificultado a vida de muitas pessoas:

  • Variações rápidas e intensas de humor. Pequenos imprevistos do dia a dia desencadeiam uma reação de fúria incontrolável que poderá durar alguns minutos, horas ou até dias. Acompanhada de grande dificuldade de controlar essa raiva.
  • Sentimento de vazio e solidão. Por isso desenvolvem uma grande sensibilidade à rejeição. O menor sinal de rejeição desencadeia uma grande crise emocional.
  • As relações ​​com familiares, amigos e entes queridos são intensas e instáveis passando, muitas vezes, do amor ao ódio rapidamente. A consequência disso é que as relações pessoais tornam-se absolutamente instáveis e, por isso, vão se isolando cada vez mais.
  • Impulsividade: idealizam pessoas e, ao menor sinal de frustração, afastam-se imediatamente, ou seja, desenvolvem admiração e desencanto por alguém de forma absurdamente rápida.
  • Instabilidade e falta de segurança em relação a si próprio.
  • Comportamentos suicidas ou de automutilação (muitos provocam ferimentos em si mesmos na esperança de que sentirão menos a dor interior).

Esses são apenas alguns dos sintomas do Transtorno Borderline.

Imagine quão grande é o sofrimento de uma pessoa nessas condições. Note que ela produz em si mesma aquilo que mais teme, que é a solidão, por conta de seus comportamentos limítrofes.

É importante saber que há tratamento para pessoas nessas condições.

Ao se deparar com uma situação parecida na família, com amigos ou mesmo no trabalho, aguarde um momento em que possa conversar e, com muita consideração, tranquilidade e respeito, oriente essa pessoa a procurar ajuda de um profissional – psiquiatra ou Psicólogo – que após um diagnóstico detalhado irá definir corretamente o transtorno e o tratamento adequado.