Com o ritmo acelerado da sociedade e com agendas cada vez mais apertadas, a tendência das pessoas é de fazer com que o jantar seja a principal refeição do dia. É neste horário que chegam em casa e estão mais tranquilas quanto as atividades.

Com isso, elas tendem a comer em excesso próximo a hora de dormir, o que, de acordo com especialistas, pode ocasionar tanto doenças a curto quanto a longo prazo.

Riscos de se alimentar em excesso durante a noite

A nutricionista Heloiza Minetto explica possíveis desconfortos que podem ocorrer logo após consumir em excesso. “Quando uma pessoa come muito perto da hora de dormir, não sobra tempo suficiente para o estômago se esvaziar e ao se deitar com o estômago cheio, pode causar refluxo gastroesofágico, que é quando o conteúdo estomacal retrocede ao esôfago, causando azia, náusea, vômito.

A longo prazo, pode provocar câncer de esôfago”, afirma.

Carolina Camara, nutricionista em Curitiba (PR), diz que o risco existe para sobrepeso/obesidade em um primeiro momento. Com o passar do tempo, eleva-se para inúmeras outras doenças correlacionadas a essas, como diabetes e hipertensão.

Mais do que ganho de peso

A estudante de nutrição Jessica Gonchoroski, em pesquisas realizadas na Faculdade Estácio de Sá, em Santa Catarina, explica sobre o ganho de peso. “Como o nosso metabolismo fica mais lento no período noturno, pode haver um aumento de peso mesmo se ingerido os mesmos alimentos que comemos em outros horários, como no café da manhã e almoço”, afirma.

Solange Martins, de 39 anos, que há um mês tem mudado seus hábitos alimentares noturnos, percebeu uma alteração tanto na balança quanto em sua Saúde.

Ela conta que neste período já emagreceu 2 quilos, apenas se alimentando em menores quantidades no período noturno.

“No começo não pensei que o jantar influenciasse tanto no meu dia seguinte. Em uma noite acabei excedendo ao meu limite e no dia seguinte me senti mal o dia inteiro, afetando todas as refeições seguintes”, afirma.

Mas, como explica a nutricionista Carolina Camara, “de uma maneira geral, a alimentação não deve ser limitada ao ganho ou não de peso, e sim aos nutrientes que vão potencializar o funcionamento adequado do organismo, no sentido de prover saúde e bem-estar a pessoa”.

Alimentos e quantidades recomendados

“Para o período da noite, considerando que logo iremos descansar, o indicado é sempre uma refeição um pouco mais leve e nada em grandes quantidades. Se for o caso de ser a mesma refeição do almoço, o ideal é que as porções sejam menores. Recomenda-se que evitem os carboidratos simples, como macarrão, pão francês e arroz branco, optando sempre por frutas, verduras, legumes e os carboidratos complexos, como arroz integral, batata doce, mandioca e aveia”, declara Carolina Camara.

O horário também conta

Questionadas quanto ao último horário de se alimentar durante a noite, as nutricionistas citadas no artigo respondem que o horário ideal de se alimentar seja em até três horas antes de dormir, para que dê tempo de todos os órgãos do corpo trabalharem da maneira correta.

Os que trabalham durante o dia e estudam à noite não precisam ficar preocupados. Com a onda Fitness que tem inspirado diversos jovens a uma alimentação mais saudável, é comum ver nas universidades serem vendidos alimentos mais benéficos à saúde e com menor valor calórico.

Jéssica conta que em sua faculdade vários alunos levam seus próprios alimentos para o intervalo, o que auxilia com que a refeição principal não seja às 23h, horário que normalmente um estudante chega em casa. “Caso sinta fome ao chegar em casa, recomenda-se que seja ingerida uma fruta ou suco de frutas”, finaliza Jessica Gonchoroski.