No Brasil, as mulheres vivem, em média, 7 anos a mais que os homens, de acordo com o IBGE. Observando-se dados da OMS que foram divulgados em 2016, pode-se constatar algo semelhante em nível mundial onde a expectativa de vida deles é de 69,1 anos e delas 73,8 anos.

A explicação para essa situação pode estar na resistência dos homens em procurar o médico com frequência, para consultas e exames preventivos.

Uma pesquisa do Centro de Referência da Saúde do Homem concluiu que, em 50% dos casos, os homens já chegam ao consultório com as doenças em estágio avançado, impulsionados por alguma dor ou desconforto, quando já existe a necessidade de intervenção cirúrgica em muitos casos.

Esse estudo demonstrou também que 70% deles só vão às consultas se estiverem acompanhados pela esposa ou filhos.

Em uma rápida comparação com as mulheres, pode-se ter uma ideia da diferença: para cada oito consultas ginecológicas, ocorre apenas uma urológica.

Afinal, por que os homens só procuram o médico em último caso? São várias as respostas para essa pergunta. Das mais absurdas às mais racionais. Das empíricas às científicas.

Em 2016, o então ministro interino da Saúde, Ricardo Barros, deu a seguinte declaração para o fato de homens irem menos ao médico do que as mulheres: "Eles trabalham mais do que as mulheres e são os provedores"das casas brasileiras, assim possuem menos tempo”. Em pleno século 21 a declaração, absurdamente retrógrada, além de ir contra dados do IBGE (que demonstram que as mulheres, em sua jornada dupla “dentro e fora de casa”, trabalham 5 horas a mais que os homens), com certeza não é a resposta correta para a questão.

Já o filósofo, psicólogo e escritor Adriano Gonçalves acredita que, desde pequenos, os homens são encorajados a serem fortes e, independentemente da dor que estejam sentido, sempre ouviam: “Seja forte! Não chore. Não foi nada. Homem não chora!”. O que, segundo o Gonçalves, gerou um desconforto neles em assumir sua fragilidade.

Ainda nessa mesma linha, segue o escritor, relatar uma dor, assumindo-a perante amigos, familiares ou mesmo perante os médicos, é também tocar na fraqueza e colocar sua tão valorizada “masculinidade” em questão.

Campanhas mundiais como a “Novembro Azul [VIDEO]”, que alerta para o câncer de próstata e o “Dia Internacional do Homem”, comemorado em 19 de Novembro (no Brasil, em 15 de Julho, como “Dia dos Homens”), buscam chamar a atenção para cuidados com a saúde masculina.

Segundo o Dr. Carlos Pastore, cardiologista, o correto seria regularmente medir a pressão arterial (principalmente se há casos de pressão alta na família), fazer o teste ergométrico e fazer avaliações para fatores de risco a doenças do coração e, a partir dos 50 anos, avaliação dos pulmões, do aparelho digestivo e da próstata.

A realização de check-up, pelo menos uma vez ao ano, é altamente recomendado pelos médicos, especialmente após os 40 anos. Isso ajuda a prevenir as principais doenças que afetam os homens, como câncer de próstata, problemas nos rins, alterações hormonais, além do crescimento benigno da próstata que atinge 100% deles.

Não espere mais. Esqueça as desculpas e marque hoje mesmo uma consulta com seu médico e viva mais e melhor!