A reposição de vitamina D [VIDEO] cresceu nos últimos tempos, entretanto as doses utilizadas são altas. O que antes era avaliado apenas em pacientes de risco, tornou-se corriqueiro nos consultórios médicos e o resultado é o aumento na prescrição.

O levantamento feito pela Critical Reviews in Food Science and Nutrition (2018 Feb 1-8) mostrou que o índice de pessoas com baixa concentração de vitamina D na população brasileira é de 43,1%, número considerado alto. De acordo com o artigo, o excesso de tempo em lugares fechados e a poluição nas cidades, que impede a entrada dos raios ultravioletas, são os principais fatores que podem justificar a alta porcentagem .

A principal fonte de vitamina D é a pele quando exposta à luz solar

Na alimentação a vitamina D pode ser encontrada em ovos e peixes gordurosos (salmão, sardinha e atum em conserva), porém em quantidade muito pequena. Não há nada que substitua a exposição ao sol.

A vitamina D (também conhecida como calciferol) atua na deposição e absorção de cálcio no organismo, principalmente no tecido ósseo, e por isso contribui na prevenção de osteoporose e artrite. Na maioria dos casos, a deficiência é assintomática, porém quando aparecem sintomas eles estão relacionados à fadiga e à fraqueza muscular. Em crianças, os sintomas estão relacionados ao retardo do crescimento e raquitismo.

A população em geral pode apresentar baixa concentração de vitamina D, porém idosos acima de 60 anos, principalmente mulheres na pós-menopausa [VIDEO], pacientes que passaram pelo procedimento de cirurgia bariátrica (redução do estômago) ou com doença renal crônica são considerados os grupos de risco.

Além disso, é importante salientar que alguns medicamentos como antirretroviral, glicocorticóides e anticonvulsivantes, podem interagir na formação da vitamina D. Todas essas informações devem ser levadas em conta na prescrição.

Recomendações diárias

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a concentração de 20 ng/mL (600 a 800 UI – unidades internacionais) é o valor desejável para a população brasileira saudável até 60 anos. Entretanto, preconiza-se a concenrtração de 30-60 ng/mL na população acima de 60 anos e nos grupos de risco. Valores abaixo de 10 ng/mL e acima de 100 ng/mL pode gerar graves problemas para a saúde.

A revista The New England (2016; 375:1817-1820) ressaltou preocupação com número crescente de pacientes com baixa concentração de vitamina D bem como com as altas doses prescritas. A sugestão é uma nova avaliação das recomendações diárias e o cuidado na prescrição.

O excesso de vitamina D pode acarretar em intoxicação, doenças no sistema cardiovascular e afetar a função renal.

O ideal é uma reposição temporária levando em consideração a individualidade de cada paciente.

Portanto, evidências científicas indicam que baixas concentrações de vitamina D pode ser prejudicial aos ossos, entretanto a reposição deve ser vista com cautela uma vez que altas doses promovem danos à saúde. A reposição deve ser acompanhada de exames periódicos e nada substitui a exposição diária ao sol, em horários não prejudiciais, mesmo que para isso seja necessário mudanças cotidianas.