Estudo científico recente demonstrou que o uso crônico e em dose baixa de cafeína [VIDEO] aumentou os sintomas neuropsiquiátricos, como a ansiedade e o medo, tanto no envelhecimento natural quanto na doença de Alzheimer, abrindo novas perspectivas de estudos e tratamentos farmacológicos.

A cafeína pertencente ao grupo das metilxantinas que possuem ação estimulante sobre o sistema nervoso central e músculo cardíaco. Estima-se que o consumo médio diário de cafeína seja entre 300 a 400 mg, o que representa de três a quatro xícaras de café.

Não perca as atualizações mais recentes Siga o Canal Saúde

Estudos envolvendo a cafeína são de longa data, principalmente para avaliar o efeito do composto sobre o sistema nervoso central e cardiovascular. Porém, recentemente, estudo conduzido na Universidade Autônoma de Barcelona na Espanha em colaboração com o Instituto Karolinska na Suécia e publicado na Revista 'Frontiers in Physiology' demonstrou que a cafeína pode ter um efeito agravante sobre as características neuropsiquiátricas da doença de Alzheimer.

O estudo foi desenvolvido utilizando o modelo animal denominado 3xTg-AD que possui características semelhantes ao humano com doença de Alzheimer. Diariamente e pelo período de seis meses foi oferecido aos animais saudáveis, também chamados de controle, e os com Alzheimer a dose de 0.3 mg/ml de cafeína, o equivalente a três xícaras de café.

Os resultados encontrados foram que nos animais com Alzheimer o uso da cafeína aumentou as características denominadas “Sintomas comportamentais e psicológicos da demência” (BPSD, da sigla em inglês) como a ansiedade, depressão, alucinação, paranoia, apatia, agressão e agitação.

Surpreendente, os animais controles, ou seja, os saudáveis também tiveram alterações neuropsiquiátricas, em menor intensidade, sugerindo que o uso crônico e em dose baixa de cafeína podem promover sintomas neuropsiquiátricos em pacientes assintomáticos e piorar na doença de Alzheimer.

Nós especulamos que ao longo de um tratamento crônico com cafeína, a exacerbação dos sintomas de BPSD como a ansiedade pode parcialmente interferir com os efeitos cognitivos benéficos na medida em que eles podem estar na direção oposta”, escreveram os autores no artigo.

Em contradição, já havia sido demonstrado que o uso diário entre 20-200 mg de cafeína pode exercer efeito positivo sobre o humor subjetivo que é quando o estudo avalia a resposta ao bem-estar, confiança, motivação, alerta, segurança, eficiência, concentração e desejo de socialização.

A importância do novo estudo publicado, dentro da vasta literatura a respeito, se dá ao fato dos resultados negativos em relação às características BPSD serem observadas nos animais controles e piorar nos com Alzheimer, uma vez que inúmeros estudos associaram o uso de cafeína ao bem-estar e como possível tratamento farmacológico a doenças neuropsiquiátricas.

“Algumas maneiras de lidar com esses efeitos múltiplos da cafeína são reduzir a dose, usar substâncias ativas no café que inibi a cafeína e fármacos sintéticos que pode antagonizar os efeitos”, concluíram os autores.