Novas evidências mostram que, nos Estados Unidos [VIDEO], crianças negras têm taxas de suicídio mais altas do que as de crianças brancas na mesma faixa etária. Dados publicados na revista Jama Pediatrics evidenciam que as taxas de suicídio entre crianças negras com idade de 5 a 12 anos são aproximadamente duas vezes mais altas.

O estudo ainda afirma que entre adolescentes com idade de 13 e 17 anos, o padrão muda, e a taxa passa a ser maior entre os brancos.

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O novo estudo é baseado em uma análise das taxas de suicídio entre crianças de 5 a 17, e compreendeu os anos de 2001 a 2015.

"Nós realmente precisamos entender quais são os fatores de risco e proteção não apenas para o suicídio, mas o comportamento suicida em jovens de cor", diz o co-autor do estudo Jeff Bridge, epidemiologista do Instituto de Pesquisa do Nationwide Children's Hospital em Columbus, Ohio (EUA).

A maioria dos estudos que investigam fatores de risco psicológicos ou sociais para o suicídio em jovens são predominantemente voltados para jovens brancos, diz o pesquisador.

O que pode levar uma criança a cometer suicídio?

Os fatores de risco conhecidos para o suicídio - como depressão, tentativas prévias de suicídio, uso de álcool e substâncias ilícitas, além de um histórico familiar de suicídio são os principais fatores de riscos para que alguém tire a própria vida.

Porém, pouco se sabe sobre os fatores de risco social que podem estar por trás da disparidade racial observada em crianças mais jovens, como se sentir inseguro ou rejeitado dentro de um grupo, pouco ou nenhum acesso a cuidados de Saúde ou até mesmo os impactos que a violência externa pode trazer para crianças pequenas (como por exemplo ter um irmão, pais ou avós assassinados).

Jeff Bridge e seus colegas pretendem explorar melhor essa questão e, ao mesmo tempo o epidemiologista encoraja os pais a perguntarem a seus filhos se eles estão tendo pensamentos suicidas ou sentimentos de desesperança.

De acordo com o pesquisador, já existem estudos que apontam que discutir o suicídio não colocará a ideia na cabeça de uma criança. Em vez disso, essas conversas podem fazer com que as crianças se abram e, dessa forma, diminuir o risco de suicídio entre os pequenos.

Dados norte-americanos apontam que, todos os anos, 2 em cada 1 milhão de crianças entre 5 e 12 anos morrem por suicídio nos Estados Unidos. Não foi encontrado estudo similar realizado no Brasil para trazer dados da realidade brasileira sobre este tema.