A depressão, só no Brasil, afeta mais de 11 milhões de pessoas, que é quase 6% da população, segundo afirma um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A jovem de 21 anos, Andressa Duvique, moradora de São Paulo (Capital), relatou seu problema de depressão para uma pessoa de sua igreja e essa lhe respondeu que seu problema era questão de fé e se estava fazendo orações, como se a depressão fosse uma doença espiritual e não de cunho emocional.

Andressa começou tratamento psicológico, com terapia gratuita onde conseguiu ajuda para conseguir lidar com o transtorno.

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Seu problema [VIDEO]piorou após saber que não havia passado no vestibular e aí então decidiu procurar ajuda e descobriu que a depressão é uma doença emocional e que carecia de cuidados.

Uma pesquisa realizada pelo Ibope, solicitada pela Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), analisou que as classes C e D da sociedade estão muito mais suscetíveis a adquirir a doença.

SINTOMAS DE DEPRESSÃO

Cerca de 15% afetam pessoas das classes A e B e 25%, das classes C e D tem sintomas de depressão. Essa pesquisa foi realizada 10 anos atrás, sendo que esses índices nos dias atuais, são bem maiores. Segundo dados americanos, pessoas pobres têm duas vezes mais chances de ficarem depressivas.

Teng Chei Tung, psiquiatra e membro da Abrata, diz que as pessoas menos favorecidas sofrem mais com o problema por não serem tratadas adequadamente por médicos especialistas. Para o psiquiatra, devia ter dados mais recentes da população depressiva para se combater a doença com mais precisão [VIDEO].

A pesquisadora americana Jenny Rose Smolen defendeu em sua tese de mestrado que se deve propor a revisão de que há a relação entre transtornos mentais e a raça das pessoas. Ela chegou a essa conclusão após analisar 14 pesquisas sobre transtorno mental e que negros têm uma tendência maior a sofrer de depressão e que o problema não está ligado a um fator genético como sempre se achou.

Outro estudo realizado na Universidade do Texas analisou que os negros dos Estados Unidos sofrem diariamente com a discriminação e que isso causa um impacto enorme na mente dessas pessoas. O impacto bioquímico também é considerado, segundo afirma a psicóloga e escritora Gabriela Moura.

O cortisol aumenta seu nível quando a pessoa se vê em perigo e é normal, pois o corpo humano é preparado para essa ação. Leva cerca de 5 até 10 minutos para o corpo entender que você está em perigo e entrar em sinal de alerta. Quando uma pessoa sofre preconceito, qualquer tipo de violência, ele acaba passando 24 horas enviando alerta para o corpo, o que a curto ou longo prazo deixa a mente e o corpo fadigados.

A sociedade criou um tabu sobre as doenças de cunho psicológicas, que afetam todas as classes sociais, porém as classes menos favorecidas abordam muito menos sobre o assunto. Muitos acham que quando uma pessoa sofre com problema psicológico, não é uma pessoa sã e sim desequilibrada. Isso só demonstra o quão desinformadas estão as pessoas.