Nos últimos anos, tem crescido o número de brasileiros em busca de cirurgias plásticas em países como a Venezuela e a Bolívia, com alguns grupos e páginas do Facebook dedicadas ao assunto. Os interessados, em sua maioria mulheres, criam grupos para trocar experiências e se organizarem para as viagens. Elas são atraídas, principalmente, pelas ofertas de baixo custo oferecidas.

Ainda não há estatísticas sobre a procura pelos procedimentos nesses países, mas a Sociedade Boliviana de Cirurgia Plástica destaca o peso do câmbio, favorável aos brasileiros, como uma das principais atrações para esse público.

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Na Venezuela, a crise tem obrigado os cirurgiões a atuarem cada vez mais em busca de pacientes no exterior. Alguns desses profissionais chegam a realizar até doze atendimentos a brasileiros em um único mês.

Entre os procedimentos mais procurados pelos pacientes do Brasil estão a lipoaspiração, a rinoplastia, a lipoescultura, a abdominoplastia e o implante de silicone. E alguns deles chegam a custar menos de 50% do valor cobrado no Brasil.

Mas, apesar dos relatos positivos de alguns brasileiros, existem riscos [VIDEO]. A possibilidade de ser operado por alguém que não seja cirurgião plástico, a realização do procedimento em uma clínica clandestina ou a falta de cuidados adequados no pós-operatório, são alguns desses perigos. Em 2017, pelo menos duas brasileiras morreram nesses países devido a complicações.

Porém, vale ressaltar, que esses riscos também existem no Brasil. Como no caso da bancária de 46 anos, que morreu após uma cirurgia nos glúteos realizada pelo "Dr Bumbum", apelido do médico Denis Furtado, que, de acordo com o Cremerj, Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, não possuía autorização para exercer a profissão no Rio.

Para atrair os clientes no Brasil, médicos da Bolívia e da Venezuela mantêm uma equipe exclusiva para divulgar nas redes sociais e até pessoalmente, em áreas de fronteira, os seus trabalhos profissionais. É possível comprar até pacotes que incluem, além da cirurgia plástica, o transporte, a hospedagem, a alimentação e os cuidados do pós-operatório.

Os pagamentos dos procedimentos plásticos são feitos em dólar ou real, em uma única prestação. Geralmente os valores são pagos antes mesmo da cirurgia e a maioria da negociação ocorrem no WhatsApp, onde grupos são criados para reunir pacientes que farão cirurgia na mesma data.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), afirma que a prática é ilegal. Segundo a SBCP, a situação assemelha-se a um tráfico de pacientes. Com interesses exclusivamente mercantis.

Os pacientes que buscam atendimento na Bolívia vêm, em sua maior parte, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Rondônia. Já para procedimentos na Venezuela, a maioria vêm de Roraima ou do Amazonas.

Mas, não são só os brasileiros que procuram atendimento nesses países. Segundo profissionais da área, pacientes americanos [VIDEO], colombianos, dominicanos e até europeus, também procuram atendimento nas clínicas desses países.

A taxa de câmbio torna os procedimentos bem mais atraentes para os brasileiros. Na Bolívia, o mercado de reconstruções plásticas teve um grande aumento nos últimos anos. Os procedimentos chegam a custar menos da metade do preço praticado em solo nacional.