Nesta semana, o neurocientista Steven Rehen comemorou em seu perfil pessoal do Instagram a criação de neurônios humanos capazes de sentir dor. O projeto foi desenvolvido juntamente com um grupo de cientistas na UFRJ, Unicamp e da Embrapa, a demanda da L'Oreal [VIDEO], empresa com a qual possuem parceria há alguns anos.

Projeto tem como objetivo acabar com o sofrimento de animais em testes de cosméticos

O Brasil é um dos países que mais consome cosméticos no mundo, sendo a indústria da beleza uma das mais lucrativas da atualidade.

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A relevância deste setor se mostra nas estimativas da Associação da Indústria Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), que previa para 2018 uma estimativa de faturamento de R$ 50 bilhões para o país.

Dentro desse mercado lucrativo, infelizmente, ainda se emprega a utilização de animais para testar novos produtos desenvolvidos antes de lançá-los para comercialização, processo este que pode ser extremamente agressivo e cruel para os bichos.

Coelhos têm especial uso nesses testes devido ao tamanho de seus olhos, pois assim é possível visualizar melhor os resultados, além de serem fáceis de lidar. O produto em fase de teste é gotejado nos olhos do animal que fica imobilizado. A substância pode causar dores e irritação, fazendo com que o roedor tente se mutilar e queira arrancar os próprios olhos, além de outras consequências como inflamação e hemorragia. Ao final, o animal é morto para que se estude os efeitos da substância no organismo.

Tendo em vista este contexto, o grupo de cientistas conseguiram desenvolver neurônios a partir de células humanas, reprogramando-as a células-tronco por meio de uma técnica que utiliza hormônios e substâncias conhecidas como fatores de crescimento.

Em seguida, essas células são novamente embebidas em uma "sopa de substâncias" que tem o papel de induzi-las a diferenciarem-se em neurônios sensoriais. Nenhum outro grupo no mundo criou até agora células tão especializadas, apenas 'neurônios genéricos' que não servem para indicar se uma substância cause reações que o cérebro traduza em dor. A diferença é que desta vez foram utilizadas substâncias de células do nosso corpo conhecidas como queranócitos, sendo estas atuantes na transmissão e trocas de sinais no tecido quando este é atacada por algum agente que provoque dor.

Foram testadas substâncias altamente irritantes como a bradicinina (responsável pela dor em inflamações) e a resiniferatoxina, uma versão potente da substância que causa ardor e é encontrada em pimentas. Steven aponta com felicidade que os neurônios se comportaram como se "estivessem no corpo humano". O grupo também produz células neurais que ajudam a compreender os efeitos do vírus zika, alguns psicoativos e a formação do sistema nervoso.

O primeiro resultado efetivo da pesquisa é a de que em seus testes não mais se usam animais!

Uma interface entre neurônios de proveta e a pele humana é o próximo passo

Futuramente, o grupo pretende criar uma conexão entre esses neurônios de proveta e a pele humana para que estímulos externos sejam transmitidos a células do sistema nervoso, num processo que ocorrerá dentro de um chip. Os cientistas tem grande satisfação em saber que dessa forma estão gerando e exportando Tecnologia de vanguarda 100% brasileira, sendo a França um contato de transmissão de novas tecnologias.