Apesar de parecer nojento e assustador logo de início, o termo “micróbio” vem do grego “microbíos” (“micrós” [pequeno]; “bíos” [vida]), logo, os micróbios --ou microorganismos-- são seres vivos microscópicos que fazem parte da nossa biosfera em uma variedade incrível. Eles estão presentes em todo o planeta, e por mais tempo do que nós e outros animais. Os microorganismos participam de vários serviços ambientais dentro dos ecossistemas, atuando como simbiontes, vivendo em outro ser vivo e o ajudando, a ciclagem de nutrientes, transformando coisas mortas em alimento para novos seres vivos, a participação no ciclo do carbono, do nitrogênio, do oxigênio e outros ciclos biogeoquímicos, na manutenção da qualidade do solo, entre outros.

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O Ministério do Meio Ambiente explica que os micróbios são organismos não-visíveis a olho nu, que ocorrem na Natureza como células unitárias ou em agregados de células, podendo ser as arqueobactérias (Archaea) ou bactérias, como eucariotos, as algas microscópicas (cianofíceas), fungos filamentosos, leveduras e protozoários, além dos vários tipos de vírus que temos por aí.

E como o ser humano usa estes seres?

O contato destes seres com o ser humano pode ser dado de forma positiva ou negativa. Na forma positiva, vemos bactérias que trabalham na flora intestinal do ser humano, ajudando na digestão de comidas, bactérias na fixação de nitrogênio, auxiliando a alimentação das plantas, produção de oxigênio e também na produção de alimentos e medicamentos.

Na forma negativa, vemos efeitos prejudiciais à Saúde humana, doenças [VIDEO], produção de gases tóxicos e até mesmo morte [VIDEO]. Aqui falaremos mais sobre o uso destes microorganismos de forma positiva, na indústria e na destinação humana.

Fazendo um resumo a grosso modo podemos dizer que o interesse da indústria e do ser humano nos micróbios se dá pela geração de produtos, a fabricação de produtos de saúde, como medicamentos, antibióticos e hormônios, e a manipulação de substâncias produzidas pelos microorganismos para a fabricação de alimentos e suplementos alimentares.

O cultivo industrial é feito em larga escala –uso de fermentadores– e com otimizações visando a superprodução de substâncias e reações enzimáticas que ocorrem naturalmente no ambiente. Ou seja, é escolhida uma habilidade que certo micróbio consegue fazer e ela é feita repetidamente em ambientes controlados e em grandes quantidades, gerando um produto novo.

Na indústria alimentícia, os microorganismos são empregados em larga escala para a produção de diversos alimentos, dentre os quais os mais conhecidos são o queijo, iogurte, o pão, a cerveja, coalhada, picles, vinho, vinagre entre outras comidas e bebidas. Sim, todos eles são feitos a partir de micróbios! Nestes alimentos forma-se a microbiota do alimento composta por estes seres associados à matéria-prima ou à contaminação, seja por manuseio, processamento ou tratamento inadequado.

Por isto temos que lembrar que é muito importante estudar Microbiologia, pois ela possui grande importância na tecnologia dos alimentos, proporcionando à indústria métodos para o controle dos microorganismos que são desejáveis e eliminando aqueles micróbios que podem causar danos e estragos nos alimentos.

Já na indústria da saúde, a penicilina é o caso mais conhecido acerca do uso de microorganismos na produção de medicamentos, seguida das vacinas, da insulina sintetizada, neomicina, estreptomicina etc. O uso destes seres na área da saúde possibilitou avanços na Biotecnologia, Biomedicina, à indústria farmacêutica, às técnicas de recombinação genética, técnicas de esterilização de embalagens e de pasteurização, ao controle biológico de pragas, à Biorremediação entre vários outros campos do conhecimento.

Pensando no salto de desenvolvimento da indústria de medicamentos, desde a descoberta do primeiro antibiótico e no número de seres humanos e outros animais que já foram salvos por medicamentos, é impossível medir como a Medicina atual agrega valor com o uso de micróbios. Mas nunca podemos parar de vigiar as técnicas de manipulação, a manipulação de substâncias e produção dos medicamentos, pois inconvenientes sempre podem acontecer e afetar muitas pessoas.

O mesmo se aplica à indústria de alimentos, que tem muitas oportunidades de se contaminar, principalmente quando não há manuseio adequado. Assim, nós continuamos aprendendo que os micróbios podem ser bons para nós, e também mantemos o padrão de saltos evolutivos nesta área, que vem agregando desenvolvimento desde séculos passados, em vez de sofrer impactos negativos no momento presente ou no futuro.