Depois de 500 anos, chuvas caíram no Deserto de Atacama em 2015 e 2017. Com isso, cientistas acreditavam que [VIDEO] vidas floresceriam em abundância. Enganaram-se. Pois foi justamente o contrário. Estudos recentes apontaram que a maioria das vidas microbianas que viviam naquele deserto foram extintas com a presença da umidade trazida pelas chuvas.

O Atacama fica localizado na região norte do Chile e estende-se até a fronteira com o Peru. É o deserto não polar mais seco do mundo. Com uma imensidão de 105.000km², é considerado também o mais alto do planeta.

O deserto é composto de terreno pedregoso, lagos de sal e areia. A temperatura varia de 0° à noite a 40° durante do dia. É considerado o mais seco do mundo porque as correntes do Oceano Pacífico não conseguem passar para o deserto por conta de sua altitude. Esse oceano sofreu com mudanças climáticas que resultou em chuvas áridas no Atacama.

O atacama vem chamando a atenção dos cientistas. Antes de receber a primeira chuva depois de cinco séculos, em 9 de agosto de 2015, ele abrigava 16 espécies microbianas que haviam se adaptado à seca extrema, porém não resistiram à umidade depois desse longo período sem chover no local.

Das 16 espécies de micróbios que viviam no Atacama, somente de 2 a 4 espécies sobreviveram a umidade provocada pelas chuvas.

Várias espécies microbianas antigas desapareceram com as chuvas no Atacama

Astrobiólogos que estudam o deserto acreditavam que vidas surgiriam majestosamente depois das chuvas. Como disse Alberto Fairén , da Universidade Cornell, nos Estados Unidos. De acordo com ele, foi justamente o contrário. As chuvas no núcleo hiperárido do Atacama causaram extinção em massa da maioria das espécies microbianas indígenas.

O Estresse Osmótico, causado pela chegada da chuva, acreditam os cientistas, foi o responsável por exterminar 85% das espécies de vidas microbianas que viviam no solo daquela região. Essas espécies microbianas [VIDEO]adaptaram-se ao longo dos séculos para sobreviverem à extrema secura. E não conseguiram adaptar-se, subitamente, a presença da umidade provocada pelas águas das chuvas.

Semelhança do deserto de Atacama com o que aconteceu no Planeta Marte

O deserto chileno faz os cientistas o compararem ao Planeta Marte. Acreditam eles que há 3,4 a 4,4 bilhões de anos, antes de perder a sua atmosfera, Marte teve água em abundância em seus solos. E que entre 3 a 3,4 bilhões de anos, provavelmente, o planeta experimentou períodos úmidos nesse tempo, ocasionado pelo Estresse Osmótico. Algo semelhante ao que está acontecendo em Atacama.

Alberto Fairén ainda complementa que se houvesse espécies microbianas sobreviventes ao processo de extrema secagem em Marte, elas teriam passado pelo mesmo processo de Estresse Osmótico, semelhantes ao que eles estudam no deserto chileno.

Acreditam os cientistas que o ressurgimento de água em Marte pode ter extinguido de vez a vida naquele planeta. Se acaso, vidas por lá já existiram. Esse é um dilema que os cientistas tentam desvendar [VIDEO]. Se houve ou não vida em Marte. Porque estudando o que aconteceu recentemente aqui no deserto do Chile, eles tentam entender o que aconteceu há bilhões de anos no Planeta Vermelho.

Isso é Ciência. O presente do deserto Atacama, pode explicar o passado remoto do Planeta Marte, acreditam os cientistas.