A desconstrução dos Livros foi um movimento que surgiu de dentro para fora. Se antes tínhamos na poesia modernista, na poesia concreta ou na poesia marginal dos anos 70, quebras de estruturas pré-estabelecidas nos poemas, em que os poetas começavam a abusar do verso livre, começavam a desenhar com as palavras e a experimentar tudo que o poema podia comportar, hoje podemos perceber nitidamente a desconstrução do formato livro.

O movimento de editoras cartoneras vem crescendo significantemente. Aos que não sabem, editoras cartoneras utilizam de papelão para a confecção de suas capas, possibilitando que cada capa seja pintada de uma maneira diferente, permitindo uma unidade peculiar em cada livro.

A primeira editora que se tem registro é a Eloísa Cartonera, do Uruguai, com surgimento em 2003. A movimentação foi se expandindo e hoje mesmo no Brasil já temos diversas editoras nesse estilo: Dulcinéia Catadora, Mariposa Cartonera e Maria Papelão.

A grande expansão das editoras pequenas e independentes vêm contribuindo para as diversas possibilidades que se pode dar ao livro. Com tiragens menores, que normalmente variam de 100 a 300 exemplares, é possível ter um cuidado especial com cada livro.

Os chamados livros-objetos vêm conquistando cada vez mais espaço. Há uma editora que surgiu na Finlândia, em 2011, e tem sede no Brasil, chamada N-1 Edições (N-1 publications, no original). A editora produz livros que buscam ter esse caráter artesanal e tem em seu acervo diferentes experimentações.

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Para inicio de conversa, vale ressaltar que a editora publica todos seus livros em edições bilíngues, algo raro aqui no Brasil.

Para dar exemplo dos projetos da editora, o livro Máquina Kafka (Kafka Machine, no original) vem com dois furos - um na parte central superior e outro na parte central inferior do livro. Nos furos há dois parafusos que devem ser removidos para poder abrir o livro. Já o livro Estamira (baseado no filme homônimo), que retrata na vida de Estamira Gomes de Souza - uma senhora com distúrbios mentais que trabalhava no aterro sanitário de Jardim Gramacho no Rio de Janeiro - vem dentro de um saco de lixo preto lacrado.

Esperamos que mais editoras comecem a explorar a criação de livros-objeto. As possibilidades são as mais diversas e o resultado acaba sempre sendo surpreendente. Os próprios livros cartoneros são interessantes pela possibilidade de serem feitos em casa. Qualquer um acaba tendo o espaço para fazer seu livros. O processo de criação é relativamente simples e sempre permite experimentações.