Dizem as boas línguas que a Bossa Nova nasceu no banheiro. JoãoGilberto, no maior momento de inspiração da Música brasileira, encontrou a tãorevolucionária batida num banheirinho em Minas Gerais, casa de sua irmã, onde ogênio passava uma temporada. Não há, no Brasil (será que no mundo isso também écomum?), uma única pessoa que não tenha cantado no chuveiro.

O banheiro, mais especificamente, a água, que escorre abundantementepelo corpo durante o banho parece ser a grande catalisadora das pequenas ambiçõesmusicais e a primeira ouvinte dos desinibidos brasileiros cantadores… em tese.Porque, agora, só mesmo em tese.

Não tem mais água, diversos reservatóriosestão secando por escassez de chuva e, principalmente, por má administração dosrecursos públicos, além da ausência total de planejamento.

Faltaágua em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Já foi o tempo em que sepodia cantar debaixo do chuveiro e tomar um banho sossegadamente. O diretor da Sabesp,Paulo Massato, já anunciava (num estranho áudio vazado no ano passado): “Saiamde São Paulo porque aqui não tem água, não vai ter água para banho, paralimpeza da casa, quem puder compra garrafa, água mineral.

Quem não puder, vaitomar banho na casa da mãe lá em Santos, Ubatuba, Águas de São Pedro, sei lá,aqui não vai ter”. Feliz mesmo era o João Gilberto, que, depois inventar aBossa Nossa, ainda podia tomar um banho demorado.

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