Uma mulher que acaba de dar à luz começa a se sentir doente. Ela tem o que, hoje, é reconhecido como depressão pós-parto. Ela é enclausurada por seu marido médico, e proibida de fazer qualquer atividade, física ou mental, para se recuperar. Sentindo-se cada vez mais entediada, ela começa a reparar no papel de parede amarelo do quarto, enquanto seu estado de saúde piora dia-a-dia.

O papel de parede amarelo, conto escrito em 1890, é uma história de terror com duplo sentido.

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Temos um conto de terror psicológico que narra, de forma assustadora, o enlouquecimento da personagem - que foi a maneira escolhida pela autora para trazer à tona os problemas enfrentados pelas mulheres, oprimidas pela sociedade patriarcal. Como muitas mulheres da época, Gilman sentiu na pele essa opressão. E transformou sua experiência e sofrimento numa luta por uma sociedade mais igualitária entre mulheres e homens: ela foi uma das maiores feministas ativas dos Estados Unidos.

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Charlotte Perkins Gilman nasceu em 1860, em Connecticut, nos Estados Unidos. Ela se casou em 1884 e teve uma filha. Infeliz no casamento, sofreu séria depressão pós-parto, e se separou do marido em 1888, um ato de coragem para a época. O divórcio veio em 1894 e, em um gesto ainda maior de ousadia, ela entregou a filha aos cuidados do ex-marido. Malvista pela sociedade, enfrentava dificuldades para expor suas ideias e seus conceitos, e para publicar seus escritos. O papel de parede amarelo, por exemplo, costumava ser publicado em antologias de mistério, que realçavam seu aspecto "conto de terror" e ignoravam o argumento feminista.

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Mesmo com as dificuldades, Gilman teve uma extensa carreira como romancista, que inclui livros de ficção e de não-ficção, contos e poemas. Ela costumava dar palestras para sobreviver e, embora sua causa principal fosse rever o papel da mulher na sociedade, ela também defendeu outras causas, como o fim do capitalismo e da distinção de classes. A própria Teoria da Evolução de Darwin, segundo ela, precisava ser reformulada porque apresentava apenas o papel do homem no processo evolutivo, ignorando o da mulher. 

Embora O papel de parede amarelo seja seu trabalho mais conhecido, muitos Livros de Gilman obtiveram reconhecimento, como Women and economics (As mulheres e a economia, tradução livre), e The home: its work and influence (O lar: trabalho e influência, tradução livre), ambos sem lançamento no Brasil.

Atuais, essas obras, que discutem a questão da mulher, do lar e da sociedade, são consideradas hoje "bíblias" do Feminismo.

O livro traz ainda um prefácio escrito pela filósofa brasileira Márcia Tiburi, e um ensaio, escrito em 1973, pela educadora americana e feminista ativa Elaine Ryan Hedges. Nesse ensaio, Hedges oferece uma breve biografia da autora, e contextualiza o período que ela vivia. Ambos os textos esclarecem a importância da autora e desse conto para o movimento feminista. 

Gilman morreu em 1935.

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Estava com câncer inoperável de mama e, defensora da eutanásia, cometeu suicídio

 

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