Divulgada em março deste ano, a lista de leituras obrigatórias da Fuvest 2017 expõe a pobreza com que o ensino de literatura é tratado no Brasil. Com somente um livro de poesia e sem englobar movimentos relevantes, como Parnasianismo e Simbolismo, a lista tem um total de nove livros de leitura obrigatória aos vestibulandos que pretendem ingressar na Universidade de São Paulo (USP) e na Santa Casa.

Eis todos os livros requisitados:

  • Iracema - José de Alencar
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
  • O Cortiço - Aluísio Azevedo
  • A Cidade e as Serras - Eça de Queirós
  • Capitães de Areia - Jorge Amado
  • Vidas Secas - Graciliano Ramos
  • Claro Enigma - Carlos Drummond de Andrade
  • Sagarana - João Guimarães Rosa
  • Mayombe - Pepetela

O primeiro ponto que salta aos olhos é a irrelevância da poesia na lista. Embora seja inegável a importância de Carlos Drummond de Andrade para o verso contemporâneo brasileiro, o país teve vários poetas considerados relevantes mundialmente, entre eles, Cruz e Sousa e Castro Alves.

Não dar espaço àprodução poética brasileira para dar absoluta ênfase aos romances empobrece a visão dos estudantes acerca da literatura brasileira e da produção cultural do país. É evidente também que a não inclusão de algum cânone poeta de Língua Portuguesa, como Camões e Fernando Pessoa, beira o inexplicável.

Outra falha essencial na lista é a exclusão absoluta do Simbolismo, Parnasianismo e da literatura colonial.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Educação

Uma rápida análise das opções da Fuvest nos leva a perceber que "estudos literários" no Vestibular resumem-se, basicamente, ao Realismo, Naturalismo e Modernismo, incluindo um relevante (mas controverso) exemplode Romantismo (José de Alencar). Mais ainda: a temática de todos os livros (com exceção do angolano Mayombe, Eça de Queiróse de Carlos Drummond de Andrade) paira na construção e revelação de identidades e características nacionais.

Não há nada sobre Modernismo lírico de Guilherme de Almeida ou sobre a prosa íntima de Clarice Lispector. A literatura no Brasil, como sabemos, não começou com Machado de Assis, terminou com Drummond ou tem como temática exclusiva as definições dos 'brasis'.

Embora a lista da Fuvest 2018 já apresente a obra de uma autora - Helena Morley, em substituição ao livro de Jorge Amado -, soa-nos curioso o fato de não haver escritoras do nível de Lispector, Cecília Meireles ou Gilka Machado.

A popularidade vinda das redes sociais por meio de citações da autora de "A Hora da Estrela", por exemplo, facilitaria o diálogo do aluno com a obra.

É evidente que, num limite de nove livros, não é possível englobar toda a literatura brasileira e esse objetivo pode ser incluídono estudo geral das letras brasileiras (porém,tal estudotambémfoca nos modernistas).Mas sabemos que o vestibular, que é a equivocada finalidade do ensino médio, tem uma função importante na divulgação da arte e, com certeza, se houvesse um equilíbrio maior entre os gêneros, movimentos e autores, a cultura no Brasil seria melhor compreendida em sua amplitude e, sem dúvidas, mais valorizada.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo