Ben Cash (Viggo Mortensen, o Aragon de “O Senhor dos Anéis”) é pai de seis filhos, entre seis e 18 anos, e vive feliz da vida com sua prole numa cabana em meio a uma floresta do estado de Washington, nos EUA. Em seu dia-a-dia, ensina de tudo um pouco aos garotos num tipo de comunidade baseada no socialismo libertário.

Filhos amorosos, os jovens (três garotos e três garotas) aprendem de tudo para entender o mundo, falam várias línguas e passam por exercícios físicos intensos, dignos de um acampamento militar.

Os seis são, visivelmente, o motor que move Ben em seu paraíso particular.

Mas esse universo sofre uma grande reviravolta quando a notícia de que Leslie, a matriarca da família que estava distante para cuidar da saúde, acabara de falecer. E, liderados pelo irmão mais velho Bo, os jovens Kielyr, Vespyr, Rellian, Zaja e Nai exigem que o pai os leve ao funeral da mãe para garantir a realização de seu último desejo.

Ben então se vê diante do grande dilema de sua vida: como proteger os filhos do mundo que ele tanto lutou para esconder – mundo esse cheio de falhas, regras, burocracia e tentações adolescentes a se perder de vista?

Uma verdadeira pérola em meio a um mercado dominado por blockbusters, “Capitão Fantástico” é um daqueles filmes que faz você pensar, questionando ideologias, tradições familiares e os valores de uma sociedade capitalista pautada pelo consumismo.

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Cinema

E faz isso de forma leve e descontraída, sem nunca despencar para o dramalhão ou para o humor vazio.

A atmosfera de comédia familiar misturada a road movie, que em alguns momentos remete a “Pequena Miss Sunshine”, delicioso filme de 2006, dá à produção um agradável senso de familiaridade, fazendo os 118 minutos de exibição parecerem apenas 18. A direção de fotografia é soberba, bem como as atuações.

Indicação ao Globo de Ouro

O elenco, encabeçado por um Mortensen tão inspirado que foi indicado ao Globo de Ouro 2017, impressiona pela atuação dinâmica e intimista. Os garotos George MacKay (Bo), Nicholas Hamilton (o contestador Rellian) e Charlie Shotwell (o delicado Nai), bem como as meninas Samantha Isler (Kielyr), Annalise Basso (Vespyr) e Shree Crooks (Zaja) são simplesmente excepcionais e parecem mesmo ser uma família.

O mais que experiente Frank Langella (“Frost/Nixon”) não fica atrás como o emburrado sogro Jack, que não só reprova toda a filosofia de vida do genro e da filha recém-falecida, como faz observações e questionamentos tão válidos que põem em cheque as verdades do personagem principal – juntamente com as do público.

Mas o mérito maior de “Capitão Fantástico” é mesmo do diretor, o pouco conhecido Matt Ross.

Desde já uma das novas promessas de Hollywood, Ross é um ator de papeis pequenos. Atuou em filmes como “A Outra Face” (1997), “Psicopata Americano” (2000) e “O Aviador” (2004) e algumas séries de TV, antes de estrear como roteirista e diretor em 2012, com “28 Hotel Rooms”, romance delicado que discute com profundidade as relações amorosas.

Com “Capitão Fantástico”, Ross tem a chance de finalmente conquistar reconhecimento mundial de público, crítica e também da Academia – se o Globo de Ouro é um termômetro para o Oscar, pelo menos uma indicação já pode estar garantida.

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