Um pai tenta levar a filha de dez anos para visitar a mãe na pequena cidade de Busan no dia do aniversário da menina. Durante essa curta viagem de trem, uma espécie de epidemia zumbi eclode no país e os passageiros, isolados, são obrigados a lutar para chegarem vivos até seu destino.

O texto acima poderia resumir bem o filme do coreano Sang-ho Yeon e até não despertaria o interesse de muita gente, não fosse a criatividade do diretor em transformar um plot simples de filme de horror em um longa-metragem eletrizante, com ação vertiginosa e metáforas sócio-políticas certeiras, que renova o fôlego do gênero nos cinemas e deixa para trás muitas produções americanas.

Invasão Zumbi” (“Trem Para Busan”, no original) é um daqueles filmes que começam devagar, vão criando uma tensão frequente a cada cena e, no fim, eclodem num verdadeiro orgasmo de ação bem elaborada. Bom para o expectador, que torce pelos protagonistas após meia-hora de projeção e acaba roendo os dedos depois de 60 minutos até o fim do filme.

Mas a produção coreana de baixo orçamento (comparada a filmes hollywoodianos) é bem mais que isso.

Em suas quase duas horas, o filme aponta virtudes e defeitos da sociedade moderna, montando um retrato simplificado da mesquinhez humana que impressiona pela plausibilidade – é difícil não se identificar com algumas das situações ou mesmo personagens.

A propósito, os personagens centrais podem parecer básicos e caricatos a princípio, como o pai que passa por problemas profissionais e que mal se relaciona com a mulher ou a própria filha – você sabe que, no fim, essas relações serão resolvidas.

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Cinema

Só que tudo não passa de um engodo do roteiro.

O filme tem como pano de fundo uma crise financeira e critica diretamente como a Coréia do Sul lida com seu progresso – ou seja, basicamente problemas de hoje no mundo inteiro. E é nesse ponto que “Invasão Zumbi” acerta no alvo – qualquer expectador em qualquer parte do planeta reconhece essas situações.

Clima de horror claustrofóbico

Quem acompanha o novíssimo cinema coreano, sabe que uma de suas características é o humor deslavado em momentos inusitados, o que leva, muitas vezes, a atuações exageradas e sem lugar – para o padrão ocidental, claro.

Mas o diretor Sang-ho Yeon mantém os pés bem fincados no chão e abusa pouco desse recurso. As cenas de humor são bem encaixadas e dão o alívio necessário a um filme, na maioria do tempo, realmente claustrofóbico e arrepiante.

E ele só consegue isso por causa de seu elenco carismático e bem afinado. Começando pelo protagonista desconfiado e contido, interpretado por Yoo Gong, passando pelo valentão de coração grande, feito por Dong-seok Ma, até a filhinha chorona Soo-an, interpretada pela atriz mirim com toda a pompa de uma estrela de Cinema (e mesmo nome), Soon-an Kim.

Imperdível.

“Invasão Zumbi” é a estreia de Sang-ho em filmes com atores – o diretor tem em seu currículo apenas dois longas em animação. Para honrar suas origens, ele ainda produziu uma animação chamada “Seoul Station”, que serve como prévia do filme e que estreou nos cinemas coreanos em abril – quando (e se) vai chegar por aqui, não se sabe.

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