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Não se trata de nada sobrenatural: o jornalista Mario Luis Grangeia reuniu várias letras de música compostas por Cazuza e Renato Russo que, dado o conteúdo e o contexto em que foram escritas, refletem a História do Brasil. Grangeia analisa o momento em que as letras foram criadas, os anos de 1980, quando o Brasil saía da ditadura e caminhava para uma abertura democrática. Resultado de uma tese, o livro é dividido em capítulos que abordam questões sociais como o autoritarismo, a desigualdade e a orientação sexual. Grangeia oferece também um resumo da história do Brasil desde 1978 e uma cronologia no fim do livro, sempre fazendo um paralelo com as letras sobre os temas.

Uma leitura construtiva que fará recordar quem viveu aquele período. Quem nasceu depois conhecerá o momento através da música. Pelo detalhamento histórico, o livro serve também como material didático complementar.

Relembre os dois artistas

Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, cresceu em meio a cantores consagrados da MPB, como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa e João Gilberto, e seu pai era dono da gravadora Som Livre. Iniciou sua carreira na banda Barão Vermelho, a qual largou depois para seguir carreira solo. Sempre polêmico, declarou ser bissexual e soropositivo numa época em que o assunto era tabu. Ele morreu de Aids em 1990.

Renato Manfredini Júnior, ou Renato Russo, era filho de um economista e de uma professora de inglês. Começou sua carreira na banda punk Aborto Elétrico, fundada por ele.

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Desentendimentos posteriores com os outros membros fizeram com que deixasse a banda e, após breve tentativa de carreira solo, fundou, junto com Marcelo Bonfá, Dado Villa-Lobos e Renato Rocha, a Legião Urbana. Suas principais influências foram bandas como Sex Pistols, The Cure e The Beatles, principalmente John Lennon.

Sua adolescência virou o filme Somos Tão Jovens (2013), dirigido por Antonio Carlos da Fontana. Faroeste Caboclo, um de seus maiores sucessos musicais, foi adaptado para o cinema, também em 2013. O ator Fabrício Boliveira interpretou João de Santo Cristo e Ísis Valverde fez Maria Lúcia. A direção foi de René Sampaio.

Renato Russo foi também escritor: teve quatro Livros publicados em vida e outros quatro após sua morte. Ele morreu de Aids em 1996.