Um dos momentos mais violentos da história brasileira foi o período da Ditadura militar iniciado em 1964, com o golpe que destituiu o então presidente João Goulart, eleito de maneira democrática, e que durou até 1985, quando uma reabertura à democracia começou a ser ensaiada. O período é caracterizado pela supressão total dos direitos e liberdades das pessoas, e pela repressão praticada pelos militares a quem quer que falasse ou fosse contrário ao regime.

Houve quem resistisse. Muitas pessoas, incluindo estudantes, artistas e pessoas ligadas a movimentos sociais, foram às ruas pedir a volta da democracia e tentaram, à sua maneira, impedir o avanço da ditadura. A resposta vinha na forma de prisões, torturas e assassinatos. São muitas as vítimas desse período: os sobreviventes das torturas, os oficialmente mortos e os considerados "desaparecidos" - na prática, mortos sem que haja chance de recuperação do corpo.

A Hidra é a voz dessas pessoas. Escrito a partir das experiências pessoais da autora que, jornalista durante a ditadura, conheceu de perto a violência do período, o livro é, ao mesmo tempo, o documento de uma época e a chance dessas pessoas serem ouvidas.

São 42 narrativas, ora pungentes, ora calorosas. Os relatos incluem professores aposentados à força, cientistas expulsos do país, perseguições aos índios, e a tortura contra os resistentes.

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Os contos são breves mas detalhistas, e ilustram o terror a que a nação fora submetida.

As histórias pertencem a conhecidos da autora ou foram recontadas a partir de informações oficiais. E, embora não se identifique, ela mesma foi a protagonista de algumas.

A Hidra é um livro sobre a nossa história, sobre um período em que o país era comandado através da força bruta. A ditadura militar acabou e, desse período, restou o legado que, hoje, conhecemos e desfrutamos.

Resta saber se aprendemos ou não com o passado.

Sobre a autora: Marlene Rodrigues foi jornalista, professora universitária e cientista social. Iniciou-se na carreira como repórter dos Diários Associados cobrindo movimentos estudantis e, em 1970, passou para a Folha de São Paulo, cobrindo principalmente a reforma universitária feita pelo governo militar. É autora de vários Livros e ensaios nas áreas de jornalismo, psicologia e ciências humanas.

Atualmente, ela vive no Paraná e se dedica a projetos que visam a preservação da natureza local.

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