A escalada de 25 mil demissões de profissionais da imprensa americana, entre 2008 e 2010, mostra que o setor impresso está passando por uma profunda crise. É com essa reflexão que o jornalista Ignacio Ramonet inicia o livro “A Explosão do Jornalismo- Das Mídias de Massa À Massa das Mídias”.

Queda dos jornais impressos

Nos Estados Unidos, aproximadamente 120 jornais desapareceram e os que se mantiveram caíram suas vendas pela metade. O semanário Newsweek perdeu quase 15% de seus leitores. O grupo Guardian Media, editor do jornal diário The Guardian, perdia, em 2009, 120 mil euros por dia. Isso porque os leitores estão preferindo acessar conteúdos via celular ou tablete.

A internet parece ser a “culpada” pela queda dos jornais impressos, mas não foi apenas a versão digital que contribuiu para a “destruição” da imprensa escrita. Há questões sobre a crise econômica (consequência na baixa dos recursos publicitários); pessoas que desconfiam que a imprensa é conivente com poderes políticos, pois há jornalistas que preferem ocultar informações ou até mesmo divulgar falsas notícias. Tudo isso é uma alerta aos leitores sobre as manipulações midiáticas.

O autor expõe vários casos de mídias tradicionais, como The New York Times, que passou por escândalos por questões de mentiras, manipulações, informações minimizadas e ocultadas. Há também a preocupação pela divulgação rápida e imediata das notícias, o que leva uma probabilidade maior de cometer erros. Há quem diga “menos informação, mas melhor conteúdo”.

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Ignácio além de trazer informações precisas sobre a crise da mídia impressa, ele também traz à tona novos sites de informação que se especializam com assuntos mais “proveitosos”. Entre eles estão: o jornalismo sem fins lucrativos, que são financiados por fundações ou doações de pessoas que desejam uma informação independente; a combinação de jornalistas profissionais e contribuição de internautas participativos; o jornalismo de banco de dados, que permite uma pesquisa profunda de instituições públicas e privadas; e o site Wikileaks, que são informações confidenciais divulgadas através de banco de dados.

A internet está sempre se reinventando e inovando em sites, formas de entreter o público e até mesmo pensando em qual melhor modelo de rentabilidade. Pois, apesar de pensar nos leitores, os sites também precisam lucrar. Um exemplo estratégico é do site da revista Forbes. Foi inaugurado um procedimento publicitário que interliga links promocionais no conteúdo dos artigos, ou seja, os anunciantes compraram palavras chave e, assim que o internauta passa o mouse em cima dessas palavras, uma janela contendo uma mensagem publicitária surge.

Jornais impressos não vão sumir

Em suma, a impressão que dá diante desses dados alarmantes em relação a “queda” da mídia tradicional é que o jornalismo digital vai “sugar” toda notoriedade das mídias impressas. Porém, o último capítulo do livro “jornais vão sobreviver?” mostra um lado positivo em meio desse cenário. O autor acredita que os jornalistas não vão desaparecer, pois nunca houve um momento tão favorável a eles. É o maior acesso a informação na história da comunicação. Ele ainda faz a seguinte comparação: “Os aviões nunca substituíram os barcos”. Mas, para isso, os jornalistas precisam ser ágeis e entender o que o seu público precisa.