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O cantor gaúcho Binho Ribeiro, 26, está em evidência. Sua Música "Toda Maravilhosa" é Top 25 do Spotify na playlist divulgada pelos Novos Baianos e Caetano Veloso.

Alem disso, o músico visa agora conquistar e explorar outro terreno: o YouTube. O videoclipe da sua nova canção, que irá em breve para a web, foi gravado em São Paulo. O clipe promete ousadia e ineditismo, com efeitos especiais e uma linguagem visual moderna, diferente do padrão minimalista comum aos videoclipes que se tem como referência, quando se fala de MPB. Ousadia e alegria, já diria Thiaguinho.

O cantor é uma figura bastante conhecida em casas noturnas de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, e do seu estado natal, Rio Grande do Sul, com frequentes e lotadas apresentações musicais.

Em meio a essa evidência na cena musical, o cantor tem aproveitado o espaço dos palcos das principais capitais do país e na mídia para tocar na questão delicada do racismo. Principalmente por ser um negro, nascido e criado em uma região majoritariamente branca, de imigração, tradição, costumes e cultura predominantemente européia: a região sul do país.

"Antes de ir morar no Rio, eu não ligava pro racismo. Nascido e criado no Sul, nunca fui capaz de enxergar de verdade a questão, devido a estar já habituado à posição que o negro é colocado na cultura sulista. Ou seja, por exemplo, o fato de ter somente um estudante negro em uma escola da rede privada de mais de 1500 alunos, só porque tem bolsa de estudos, ou o fato da maior parte dos negros não estar ocupando cargos de destaque na sociedade; ou pelo simples, mas incrível fato, de que quando um negro consegue se graduar em medicina, ele acaba por fazer história.

A verdade é que a própria sociedade te trata como se fosse mérito o fato de ser negro e, ainda assim, ter conquistado algo. O Rio Grande do Sul, provavelmente por sua colonização alemã e italiana, ainda é um dos estados mais preconceituosos do Brasil. Um Preconceito velado, doloroso, obscuro. Não que em outras cidades, como o Rio, não haja discriminação: há, e muita. Contudo, os movimentos de empoderamento dos negros em cidades como Rio e SP nos impulsionam, e nos incentivam a lutar pelo espaço do negro na sociedade e na mídia cada vez mais. Isto não só no Brasil, mas por todo o mundo afora".

Com sua música, o cantor visa quebrar paradigmas e preconceitos, trazendo para a Nova MPB elementos do soul e um pouco de negritude a um mercado mais conhecido pelas bossas da classe média alta e branca do Leblon, de Ipanema e das areias de Copacabana, com poucos representantes negros de destaque, como Seu Jorge, padrinho musical de Binho.