Julie Newmar nasceu Julia Chalene Newmeyer, em 16 de agosto de 1933, em Los Angeles (EUA). Descendente direta dos imigrantes vindos no Mayflower, era filha de Donald Newmwyer, que foi jogador de futebol americano, e da dançarina do Ziegfeld Follies Helen Jesmer, “as mais bonitas pernas do Follies”, segundo o ator Eddie Cantor.

Ainda muito jovem, Julie começou a dançar balé e estudar todo tipo de dança com a ajuda da mãe. Aos 15 anos, ingressou no elenco da Ópera de Los Angeles. Após morar um tempo na Europa, retornou aos Estados Unidos, onde entrou para a universidade, mas permaneceu por apenas seis meses.

Aos 19 anos foi contratada pela Universal, como coreógrafa. Mas a beleza da jovem chamou a atenção e a Warner Bros lhe ofereceu um pequeno papel no filme O Professor e a Corista (She’s Working Her Way Through College, 1952), estrelado por Virginia Mayo e Ronald Regan.

Após fazer muitos papéis sem importância, chamou a atenção dançando com o corpo completamente pintado de dourado em A Serpente do Nilo (Serpent of the Nile, 1953), estrelado por Rhonda Fleming.

Após fazer figurações em filmes como A Roda da Fortuna (The Band Wagon, 1953) e Demetrius, o Gladiador (Demetrius and the Gladiators, 1954) teve seu primeiro crédito em um filme, como uma das noivas em Sete Noivas Para Sete Irmãos (Seven Bridges for Seven Brothers, 1954).

Após Sete Noivas Para Sete Irmãos filme, Julie afastou-se do cinema para dedicar-se a Broadway. Em 1955, ela estrelou Meias de Seda (Silk Stockings) nos palcos, ao lado de Hildegarde Neff e Don Ameche.

Ela faria ainda outros espetáculos e em 1958 ganhou um prêmio Tony de Melhor Atriz por seu papel em The Marriage-Go-Round. Ao lado de Joel Gray (de Cabaret), excursionou pelo mundo com o espetáculo Stop the World – I Want to Get Off (1961).

Após o sucesso no teatro, a 20th Century Fox lhe ofereceu um contrato para ela ser uma “nova Marilyn Monroe”. Julie retornou às telas protagonizando O Último Recruta (The Rockie, 1959), uma comédia de baixo orçamento.

No mesmo ano repetiu o papel de Stupefyin’ Jones, que havia feito na Broadway, em Aventuras de Ferdinando (Li’l Abner, 1959).

Em Eu, Ela e o Problema (The Marriage-Go Round, 1961), repetiu o papel que também havia feito no teatro, pelo qual foi premiada com um Tony. Apesar do sucesso no cinema, a atriz começou a aparecer com mais frequência na televisão.

Julie atuou em episódios de series como Rota 66 (Route 66), Além da Imaginação (The Twillight Zone) e A Família Buscapé (The Beverly Hillbillies). Com Robert Cummings estrelou sua própria serie de TV, My Living Doll (1964-1965), que só durou uma temporada, mas lhe valeu uma indicação ao Globo de Ouro. Na série, Julie interpretava uma “esposa robô”. Em 1994, quase todos os episódios da série foram perdidos em um terremoto.

Em 1966, ela estava visitando o irmão em Harvard quando alguns amigos disseram que ela deveria fazer o teste para uma nova série que estava sendo produzida. A princípio Newmar não ficou empolgada com o papel, mas acabou fazendo o teste, e passou.

Em 1966, a Fox havia feito um longa-metragem como piloto teste para uma nova série, chamado #Batman – O Homem Morcego (Batman: The Movie, 1966). A atriz Lee Meriwether interpretou a Mulher-Gato no filme, mas não pode repetir o papel com a série devido a compromissos já assumidos com um filme.

Julie Newmar então ficou com o papel, aquele que ela não havia se interessado. Imediatamente, Julie Newmar tornou-se uma das vilãs mais populares da série, estrelada por Adam West e Burt Ward.

Julie deixou a série na terceira temporada, sendo substituída pela atriz e cantora Eartha Kitt. Ela deixou a personagem para atuar em dois filmes. O primeiro deles, Monsier Lecoq (1967), começou a ser rodado na Inglaterra, mas o projeto foi abandonado no meio. Em seguida em atuou em O Ouro de Mackenna (Mackenna’s Gold, 1969).

Mas ao sair da série as oportunidades diminuíram. Ela voltou para a televisão, como atriz convidada em séries como Jornada Nas Estrelas (Star Treck), Agente 86 (Get Smart), The Monkees, A Feiticeira (Bewitched), A Mulher Biônica (The Bionic Woman), O Barco do Amor (The Love Boat) e CHiPs. Também atuou em alguns telefilmes na década de 1970.

Aos 47 anos teve seu primeiro e único filho, John Jewl Smith, que nasceu com problemas auditivos e com síndrome de down. Nesta época, para cuidar do filho, diminuiu as atividades artísticas. Tornou-se empresária no ramo de roupas e passou a trabalhar como corretora de imóveis.

Na década de 1980, atuou em filmes menores como Garotas da Ruas (Streetwalkin’, 1985) e Os Fantasmas Não Transam (Ghosts Can’t Do It, 1989), enquanto conciliava seu tempo com os estudos universitários, que ela retomou.

Em 1991 substituiu Rossalind Russell no espetáculo The Women, na Broadway. Aos 58 anos tornou-se modelo do estilista Thierry Mugler, e apareceu como uma das divas da moda no clipe “Too Funky” de George Michael.

Em 1995, apareceu como ela mesma no filme Para Wong Fogo, Obrigada por Tudo! Julie Newmark (To Wong Foo Thanks for Everything, Julie Newmark, 1995). Em 2004, voltou à mídia por causa de uma briga na Justiça com o seu vizinho, o ator Jim Belushi.

Julie Newmar reclamava do barulho que o ator fazia com sopradores de folhas. Após muitas acusações, os atores fizeram as pazes e Julie acabou atuando em episódio da série de Belushi chamada O Jim É Assim (Acordina to Jim) em 2006. No episódio, a atriz interpretava Julie, uma vizinha encrenqueira de Jim.

Atualmente Julie dedica boa parte do seu tempo em campanhas de caridade para arrecadar fundo para tratamentos da síndrome de down e como militante dos direitos LGBT. Também é constantemente convidada para feiras e convenções de quadrinhos, devido seu papel de Mulher-Gato. Julie Newmar era uma grande amiga do ator Adam West, morto em 2017.

Atualmente, retornou ao seu papel que a consagrou, dublando a Mulher-Gato nos novos desenhos do personagem Batman [VIDEO].

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