O ator #Clayton Moore ficou conhecido no Brasil como #zorro, embora nunca tenha interpretado tal personagem, mas sim O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger).

Jack Carlton Moore nasceu em 14 de setembro de 1914, em Chicago, Illinois. Seu pai queria que ele fosse médico, mas ele preferiu seguir uma carreira mais inusitada. Atlético, praticava esportes desde criança, e durante umas férias de verão juntou-se a um circo tornando-se trapezista. Apresentou-se como atleta na feira mundial de Chicago, em 1934, e chamou a atenção de um produtor, que o convidou para trabalhar como modelo.

O sucesso como modelo garantiu um convite para atuar no cinema. Seu primeiro papel foi como figurante no filme Entre Ladrões (Forlorn River, 1937), estrelado por Larry "Buster" Crabbe. Com o nome de Jack Moore fez inúmeras pontas, geralmente em filmes de faroeste. Foi seu agente Edward Small sugeriu que ele mudasse o nome para Clayton.

Entre os filmes que atuou, que não eram de faroeste estão Segredos de Uma Atriz (Secrets of an Actress, 1938), A Dança da Primavera (Spring Madness, 1938) E Serenata na Broadway (Broadway Serenade, 1939).

O ator já tinha feito mais de 20 filmes quando teve sua grande chance, com um papel de destaque no seriado Perigos de Nyoka (Perils of Nyoka, 1942), da Republic Pictures.

O ator tornaria-se um astro dos seriados de baixo orçamento do estúdio, atuando em O Espírito Escarlate (The Crimson Ghost, 1946), A Volta de Jesse James (Jesse James Rides Again, 1947), Vingadores do Crime (G-Men Never Forget, 1948), Aventuras de Frank e Jesse James (Adventures of Frank and Jesse James, 1948), O Mistério do Disco Voador (Flying Disc Man from Mars, 1951) e O Sinal do Cavalo Branco (Gunfighters of the Northwest, 1954).

Mas, em 1942, o ator abandonou a carreira por um tempo, ao alistar-se no exército norte-americano durante a II Guerra Mundial. Nesta época, ele trabalhou também para o exército, fazendo vídeos de treinamentos para os soldados.

Com o fim da guerra, retornou a #Hollywood, e voltou a atuar.

Após interpretar Ken Mason, um descendente de Dom Diego de La Vega (o Zorro verdadeiro), no filme O Fantasma do Zorro (Ghost of Zorro, 1949), foi convidado pelo produtor George W. Trendle para viver o Cavaleiro Solitário (Lone Ranger). Em uma entrevista Trendle disse que perguntou: "Sr. Moore, você gostaria do papel do Lone Ranger?" E Moore respondeu: "Sr. Trendle, EU SOU O Lone Ranger".

O primeiro episódio com Moore no papel estreou na televisão em 15 de setembro de 1949, um dia após o aniversário do ator. O personagem já era popular no rádio, na voz de Brace Beemer, e Moore fez aulas com um fonoaudiólogo para que seu timbre se assemelhasse com a do ator radiofônico. Clayton Moore estrelou a série nos anos de 1949-1952 e 1953-1957, e tornou-se uma das estrelas mais populares da televisão.

Por causa de uma disputa salarial, ele foi substituído por John Hart, por uma temporada. Nesta época, retornou ao cinema, atuando em filmes (alguns em forma de seriado) como Cody, o Marechal do Universo (Radar Men from the Moon, 1952), O Cavaleiro Relâmpago (Son of Geronimo, 1952), A Volta dos Irmãos Corsos (Bandits of Corsica, 1953) e Tambores Feiticeiros (Jungle Drums of Africa, 1953).

Sem Clayton Moore, porém, a série começou a despencar em audiência, e o ator foi recontratado, com um salário ainda maior do que o que ganhava anteriormente. Ele retornou ao papel que o consagrara até 1957, quando enfim a série foi cancelada. Ele ainda faria mais um filme Zorro e a Cidade de Ouro Perdida (The Lone Ranger and the Lost City of Gold, 1958) e repetiria o personagem em um episódio da série Lassie [VIDEO], e depois deixou a carreira definitivamente.

A Confusão entre Zorro e Lone Ranger

Como Clayton Moore pode ter atuado em um filme chamado Zorro e a Cidade de Ouro Perdida sem nunca ter feito tal papel? A explicação é fácil, o personagem Lone Ranger foi lançado com o nome errado no Brasil, numa estratégia de marketing da editora de quadrinhos Ebal. E quanto ao filme, ele apenas teve uma tradução errada, como já se fazia há muitos anos com o personagem.

Zorro foi criado em 1919, por Johnston McCulley, e suas histórias em quadrinhos chegaram no Brasil em 1938, publicadas no suplemento O Globo Juvenil. O personagem fez muito sucesso por aqui e chamou a atenção de outras editoras, que não possuíam os direitos autorais de Zorro.

Em 1954, a Ebal comprou os direitos de The Lone Ranger, criado no rádio em 1933 (por George W. Trendle, que também criou O Besouro Verde [VIDEO]). Aproveitando o sucesso do personagem de Johnston McCulley, rebatizou o personagem de "Zorro", com o subtítulo "As aventuras do cavaleiro solitário", que foi abandonado logo nas primeiras edições. A Ebal alegou que o fez pela dificuldade de traduzir o termo "ranger" que é uma espécie de guarda rural do Texas, profissão sem equivalentes no Brasil. Além disto, o ator Robert Livingstone interpretou ambos os personagens nos filmes A Marca do Zorro (The Bold Caballero, 1936) e A Volta do Cavaleiro Fantasma (The Lone Ranger Rides Again, 1939).

Quando Zorro chegou à televisão brasileira, a confusão foi perpetuada. Os filmes e seriados de Zorro eram muitos populares por aqui, e a TV Record comprou o seriado de Moore e exibiu-o a partir de 1957, com o nome de As Aventuras de Zorro - O Cavaleiro Solitário. Desta forma, a maioria das pessoas confunde os personagens, atribuindo características do Lone Ranger como o grito "Hi-Yo Silver" e o fiél escudeiro Tonto como sendo do hispanico Zorro. Além disto Lone Ranger usava chapéu branco, como quase todos os mocinhos do faroeste americano (contra o chapéu preto de Zorro) e um revólver (contra uma espada usada por Zorro).

Foi somente na década de 80 que a confusão começou a ser desfeita, quando o programa infantil Balão Mágico começou a exibir o desenho "O cavaleiro solitário", no mesmo bloco em que exibia "Zorro", e não poderia ter dois desenhos com o mesmo personagem com características tão diferentes.

Clayton Moore chegou a atuar em um filme de Zorro, Legião do Zorro (Zorro's Fighting Legion, 1939), na época em que ainda era figurante. Mas não no papel do herói mascarado, interpretado pelo ator Reed Hadley.

Clayton Moore após a série

Moore nunca conseguiu se desligar da imagem do mocinho mascarado, e deixou a carreira com o film da série. Ele só voltaria a atuar em um episódio da série Super-Herói Americano (The Greatest American Hero, 1981-1983). Sem conseguir novos papéis, o ator passou a viver de participações especiais em eventos e comerciais, caracterizado como o Cavaleiro Solitário.

Em 1978, porém, Jack Wrather, o proprietário dos direitos do personagem, entrou com uma ação judicial que proibia o ator de aparecer caracterizado como Lone Ranger, pois queria fazer um novo filme e não queria que o público acreditasse que Morre, com mais de 60 anos, iria voltar ao antigo papel. Após perder o processo Clayton Moore continuou fazendo eventos, desta vez como ele mesmo, usando um chapéu diferente e óculos escuros no lugar de máscaras. O novato Klinton Spilsbury protagonizou A Lenda do Cavaleiro Solitário (The Legend of the Lone Ranger, 1981), que foi um grande fracasso, tanto que o ator abandonou a carreira após este filme.

Wrather faleceu em 1984, e sua viúva, a atriz Bonita Granville, antiga colega de Moore, retirou a ação judicial, permitindo que ele voltasse a aparecer como Lone Ranger. Clayton Moore encarnou o papel até sua morte, em 28 de dezembro de 1999, aos 85 anos.

Ele é o único ator que tem uma estrela na calçada da fama com seu nome e o nome de seu personagem.

O personagem voltou aos cinemas em O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger , 2013), com Armie Hammer no papel principal e Johnny Depp como Tonto.

Abertura da série Lone Ranger