A jornalista Ana Carolina Leonardi publicou um texto que gerou certa polêmica entre os fãs da obra de George R. R. Martin esta semana. Seu artigo, que saiu na revista Superinteressante, em tom pessoal, explicita porque não é uma boa ideia ler os Livros da saga, segundo sua visão.

O primeiro motivo, segundo Ana Carolina , é que As Crônicas de Gelo e Fogo são livros de fantasia "tradicionalzona". "É uma Literatura que, às vezes, fica popular, mas em geral é de nicho, assim como a ficção científica. E não é feita para ser fácil", explica ela.

A jornalista cita os termos arcaicos (palavras e expressões que já caíram em desuso) e chama os livros de "difíceis".

Ainda assim, segundo ela, Martin é mais acessível do que Tolkien (de O Senhor dos Anéis). Ela também lembra que são mais de 4 mil páginas já publicadas, e que muita gente para no meio.

O segundo motivo citado por ela é o fato de que não houve uma boa tradução para os primeiros livros da saga, que foram adaptados do português de Portugal, o que compromete a imersão do leitor no mundo mágico que a obra cria. Esses erros e adaptações acabam por "engasgar" a leitura.

Já o terceiro motivo é a demora do autor em terminar sua saga. Martin anunciou o primeiro livro em 1993. A ideia é que fosse uma trilogia, mas a coisa se estendeu muito mais, como se pode notar. O primeiro livro, A Guerra dos Tronos, saiu em 1996. Depois disso vieram mais dois, com intervalo de dois anos: Fúria de Reis, em 1998, e Tormenta de Espadas, em 2000.

A partir daí, Ana Carolina Leonardi lembra como a obra começa a se arrastar: Festim dos Corvos só saiu em 2005 e Dança dos Dragões, em 2011. Apesar de afirmar que já possui boa parte do sexto livro, a obra começa a ser postergada pela editora e por Martin.

A série de TV, segundo Ana Carolina, é uma boa maneira de acompanhar as histórias principais sem passar pela longa espera entre um livro e outro. Martin chegou a anunciar que o sexto livro sairia em 2017, mas em julho voltou atrás e decretou que ainda faltam muitos meses. Isso, segundo ela, é falta de respeito com o leitor.

Repercussão

Na página oficial do Facebook da revista Superinteressante, muitos leitores consideraram um "desserviço" o texto da jornalista, alegando que em um país em que poucas pessoas leem, dizer que livros são "perda de tempo" é algo irresponsável: "Nunca li algo tão sem sentido na vida", comentou uma seguidora da página.

Muitos defenderam a obra, dizendo que ela não é necessariamente difícil e que, pelo contrário, é muito envolvente e interessante.

E que a autora do texto é que parece "não gostar de ler". Houve também quem considerasse a questão mesquinha e "preguiçosa".

O bom motivo

A jornalista, no entanto, comenta que há sim um bom motivo para ler a obra: a série [VIDEO] da HBO decaiu em qualidade e há algumas histórias e personagens [VIDEO] nos livros que não aparecem na TV. Para quem quiser conhecer essas boas histórias que foram excluídas, vale a pena ler os livros.

No entanto, o leitor já deve ter ciência de que a obra não foi terminada ainda. E que a série de TV dará o final da história antes que os leitores que começaram a acompanhar o enredo ainda nos anos 1990 consigam ter lido a página final.