Na última sexta-feira (15) a peça "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu" deixou de ser apresentada no Sesc Jundiaí acatando a decisão do Juiz Antonio de Campos Júnior. O magistrado atendeu o pedido de entidades que há há algum tempo tentavam evitar que a peça continuasse sendo exibida. A liminar foi emitida pouco tempo antes do espetáculo ser exibido.

A informação foi divulgada no Facebook oficial do espetáculo. Segundo a nota a Proibição é consequência da ação de congregações religiosas, políticos e pelo TFP (Tradição, Família e Propriedade) que estariam incomodados com o teor [VIDEO] da peça, estrelada pela atriz transgênero [VIDEO] Renata Carvalho onde Jesus Cristo é retratado como um travesti.

No pedido encaminhado à Justiça pedindo a suspensão da peça afirma que o mesmo estaria submetendo as figuras de Jesus e da cruz ao ridículo. O Juiz Antonio de Campos Júnior acatou os argumentos e emitiu a liminar justificando a suspensão da obra teatral afirmando que, entre outras razões, a mesma ofende um sem número de pessoas.

Em sua decisão o Juiz, apesar de afirmar que o Estado é laico, considerou que figuras religiosas ou sagradas não podem ser expostas ao ridículo. O magistrado também classificou a peça como sendo de mau gosto e ainda a considerou desrespeitosa.

Por sua vez, a diretora da peça "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu", Natalia Mallo classificou a liminar como "um tratado de fundamentalismo e preconceito" ao criticar a decisão da Justiça de Jundiaí. Ela afirmou que, apesar da peça escrita Jo Clifford, ter sofrido com ameaças, insultos e ataques, esta á a primeira vez que o espetáculo tem sua exibição proibida.

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Através de um longo texto na página oficial da obra teatral no Facebook, Natalia mostra-se indignada com a situação e faz várias afirmações sobre a questão do preconceito de gênero no país. Para ela Brasil é o país mais transfóbico no mundo. Entre outras críticas a diretora do espetáculo questiona a razão da presença de uma travesti em cena [VIDEO] interpretando Jesus ser digno de algum de ofensa da fé cristã.

Por outro lado, Natalia Mallo aproveitou para agradecer o apoio recebido por várias entidades, incluindo a Igreja Anglicana, e ressaltou que a resposta do público nas cidades onde a obra foi apresentada tem sido positivas.

A diretora ainda alertou para o fato do Brasil ser um dos país que mais matam travestis no mundo, sem que a opinião pública e a mídia deem a devida atenção e reconheçam a gravidade da situação. Segundo ela, ainda, todos os dias "essas pessoas vivem e morrem na invisibilidade".

Por fim, Natalia aproveita para explicar sobre o a mensagem contida no texto de Jo Clifford que "busca resgatar a essência do que seria a mensagem de Jesus: afirmação da vida, tolerância, perdão, amor ao próximo."

Nos comentários da postagem da diretora do espetáculo as reações são diversas e não livre de polêmica.

Enquanto muitos apoiam a decisão do Juiz de suspender a exibição da peça, outros acusam a justiça de censura e apelam para que os produtores do espetáculo recorram da decisão