Mal sabia que a partir de junho de 1942, Anne Frank, ao ganhar como presente de aniversário, um diário para registrar seu cotidiano e suas aflições diante do regime nazista, se tornaria uma personalidade famosa posteriormente. Para desviar um pouco do foco na luta pela sobrevivência e da perseguição, Anne Frank compartilhava nas páginas escritas, sua adolescência e suas dúvidas sobre o amor.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a garotinha e sua família de origem judia viveram num porão de uma casa localizada em Amsterdã, Holanda. Esconderam-se por causa da invasão alemã na Holanda. Foram dois anos escrevendo até o dia 1º de agosto de 1944.

As razões para a confecção dessa obra não cessam com o aniversário. Anne teve outros incentivos para que escrevesse: ela gostaria de deixar anotadas as suas impressões sobre a Segunda Guerra e tinha intenção de que, um dia, o seu diário pudesse ser lido e conhecido por todo mundo. Além disso, ela ouvia rádio e, numa transmissão, os locutores apelaram para que as famílias relatassem os seus sofrimentos e dilemas diante do horror que suportavam resignadamente. O anúncio prosseguia que estes relatos serviriam para as gerações futuras.

Decisão

Então, Anne Frank mistura os momentos vividos sob a ideologia nazista, o perigo de ser descoberta e a visão pessoal de sua família. Como curiosidade, nutria uma admiração pelo pai, enquanto narrava uma relação conflituosa com a mãe.

Em 4 de agosto de 1944, a Gestapo descobre o esconderijo da família de Anne Frank e, logo em seguida, todos os membros foram enviados para campos de concentração.

A garotinha judia morreu lá, vitimada por tifo em abril de 1945. Um mês antes da assinatura do tratado de paz pelo fim da Segunda Guerra.

Único sobrevivente da família, o pai de Anne, Otto Heinrich Frank, publicou os originais deixados pela filha em 1947.

Versão em quadrinhos

A novidade sobre a história que comoveu milhares de pessoas foi lançada há pouco tempo na versão em Quadrinhos. O Brasil foi incluído e a publicação está à venda. Com pequenas adaptações, o diretor de cinema Ari Folmam e o ilustrador David Polonsky abraçaram a ideia, mantendo o conteúdo do diário e intercalando diálogos fictícios. Esses diálogos mostram uma Anne Frank firme e autoafirmada.

Publicado em mais de 50 países, “O Diário de Anne Frank” ganhará também uma versão em filme, cuja estreia está marcada para 2019. A própria dupla que se responsabilizou pelo projeto dos quadrinhos executará a versão cinematográfica.

Tanto Folmam quanto Polonsky afirmam que preservaram o senso irônico dado por Anne, bem como sua obsessão por comida.

Tal preservação é para que o livro continue com o seu aspecto de obra de arte.

Pensativo sobre o Holocausto

Ari Folmam é israelense e seus ascendentes não passaram incólumes aos flagelos impostos pelos alemães nos campos de concentração. De início, ele resistiu à proposta de revisitar o “Diário” e passar para a linguagem gráfica. A proposta veio do próprio Instituto Anne Frank, mas, após um período de reflexão, o cineasta aceitou o convite.

Para ele, isso significaria uma importância vital na transmissão de uma página triste da História, mas com uma lição que as novas gerações precisam conhecer. Outro motivo por ter aceitado é que no futuro haverá poucos sobreviventes do Holocausto para contar o que vivenciaram.

Se Anne tivesse suportado mais um pouco, talvez teria sido salva aos 15 anos de idade dos nazistas. Pouco depois de sua morte, os britânicos tomaram o campo de Bergen-Belsen, onde Anne e sua irmã ficaram presas e morreram. O ‘’Diário’’ não possui boca nem para alimentar e nem para contar. Mas a escrita desempenhou um papel fundamental de uma experiência histórica.