O Carnaval 2018 será mais triste para todos os sambistas e seus adeptos. A LIESA (Liga independente das escolas de samba do Rio de Janeiro) anunciou através de seu presidente Jorge Castanheira, no último dia 4 de outubro a não realização dos ensaios técnicos. Girando em torno de 4 milhões de reais, a entidade alega não ter recursos para arcar com essa despesa.

Há 15 anos, durante os meses de janeiro e fevereiro, as escolas de samba utilizam a Marquês de Sapucaí para ajustes pontuais em seus segmentos. Com lotação máxima de adeptos do Carnaval, turistas e moradores era evento oficial preparatório para os dias oficiais de disputa.

Com o iminente fim, setores formais e informais perdem arrecadação. Além claro do setor turístico e hoteleiro. Não se pode esquecer do carnaval de rua e das outras manifestações porém, as escolas de samba São o combustível que encantam o mundo inteiro e fazem do carnaval carioca o maior espetáculo da terra.

Eleição de Crivella: governo municipal x sambistas

A guerra silenciosa entre o governo municipal e sambistas começou com a eleição de Marcelo Crivella. Evangélico, o atual prefeito é diferente de seu antecessor Eduardo Paes assumidamente fã das escolas de samba. Nos desfiles de 2017 causou mal estar informando que compareceria nos desfiles oficiais coisa que não aconteceu. Para o planejamento de 2018 deixou claro que mexeria na verba repassada às escolas de samba alegando que priorizaria a construção de novas creches.

A partir daí uma onda de manifestações por parte dos sambistas tomou as redes sociais e ruas da cidade maravilhosa.

Corte da verba foi fator contribuinte para o cancelamento da grade de ensaios

Cumprindo com a promessa realizada, o prefeito Crivella cortou o subsídio das escolas de samba de R$ 2 milhões para um R$ 1 milhão de reais. Com o corte de 50% as escolas ameaçaram não desfilar comprometendo assim o planejamento do Carnaval. Depois de muitas reuniões e até uma visita à Brasília, o presidente da LIESA já havia deixado a possibilidade de não haver ensaios técnicos em 2018. Mesmo com a promessa do governo federal em cobrir o valor que foi retirado pelo município, Castanheira alegou que ainda sim não seria possível garantir a realização dos ensaios.

Presidentes alegam que prefeitura ainda não repassou a verba

No embate prefeitura x escolas de samba mais um capítulo está sendo desenhado. O repasse da verba para realização dos desfiles. Prometendo quitar as três primeiras parcelas da verba até dia 25 de setembro, as escolas alegam que ainda não receberam os valores.

A Riotur empresa da prefeitura alega que nos próximos dias a dívida estará quitada. De acordo com as negociações entre escolas de samba e à prefeitura, o repasse integral do valor deve ser realizado integralmente até novembro.

Escolas de samba procuram alternativas com o fim dos ensaios técnicos

Diante do eminente cancelamento dos ensaios técnicos, as escolas de samba começam a se movimentar para achar alternativas a não utilização da Marquês de Sapucaí. A São Clemente por exemplo deseja utilizar o Aterro do Flamengo para realizar seus treinos gerais. De acordo com o presidente da escola Renato Almeida, a ideia é utilizar 700 metros do complexo de lazer aos domingos nos meses de dezembro e janeiro. A ideia é colocar todos os integrantes uniformizados assim como na Sapucaí. O projeto depende apenas da aprovação da Superintendência Regional da Prefeitura do Rio.