Um dos escritores mais conhecidos da #Literatura contemporânea do Brasil, Caio Fernando Abreu permanece com sua popularidade ao longo do tempo. Mesmo com o advento da era eletrônica, o escritor gaúcho é um dos mais lidos nas redes sociais pelas faixas etárias mais novas.

Nascido em setembro de 1948, na cidade de Santiago, no Rio Grande do Sul, próxima da fronteira com a Argentina, Caio demonstrou inclinação para a escrita. Aos 6 anos, escreveu seu primeiro texto. Com 19 anos, viu o seu primeiro artigo publicado em uma revista de grande circulação.

Mais tarde, começou a trabalhar como jornalista para várias revistas de entretenimento e jornais. Em 1968, auge da ditadura, é perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e decide buscar abrigo na casa da amiga e escritora Hilda Hilst, em Campinas, São Paulo.

Não aguentando a “barra pesada” dos anos de chumbo, saiu do Brasil em 1970 para morar na Europa por uns tempos. Esse elemento de viajar pelo mundo será parte inseparável de sua obra, onde, por meio do conhecimento de várias culturas, torna-se possível estabelecer a pluralidade encontrada em seus #Livros, marcados pela linguagem direta, fluida e bem perto do coloquialismo – uma das razões do seu sucesso até os dias atuais.

Resistência

Justamente este uso objetivo da palavra aliada à preferência pessoal de Abreu pela literatura não convencional, trouxe oposição por parte dos críticos, os quais julgavam sua obra como indigna, fora dos padrões “normalmente” aceitos. Contudo, o tempo provou que o escritor, além de se tornar um dramaturgo, impôs sua qualidade inegável nas composições que fazia.

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Desafiava abertamente a ditadura militar. Tanto é que, em 1974, chegou a ser visto em Porto Alegre, usando brincos na orelha, vestindo uma bata e com os cabelos tingidos de vermelho. Naquela mesma época, não escondia de ninguém que era homossexual.

Estilo e referência

Com a volta da democracia no Brasil, Caio Fernando Abreu viveu um período rico e efervescente da cultura nacional, pautado pelas transformações na mentalidade social. Ele dizia que suas maiores inspirações eram os cantores Cazuza e Rita Lee, os quais viraram seus amigos mais tarde.

Ele não queria ser apenas mais um, pois pensava que cada escritor tinha sua época; não gostaria de ser lembrado como uma tradição. Talvez, por isso, seus textos tenham como características um estilo pessoal e lacônico, não tendo medo de tocar em assuntos como o sexo, a morte e o medo de maneira franca.

Chegou a escrever sobre a solidão e suas angústias. Todos estes temas fazem-se presentes na dinâmica do mundo moderno e desorganizado. Esteticamente, sua escrita é uma mescla de variados gêneros literários: prosa, conto, crítica literária e poesia.

Seu ídolo dentro do ramo da caneta e papel era Clarice Lispector, a quem muitos críticos e estudiosos estabelecem comparações interessantes. Ambos se guiam pela narrativa profunda e psicológica, onde prevalece o que se sente por dentro nua e cruamente.

Últimos suspiros

Autor consagrado por obras como “O Triângulo das Águas”, “Limite Branco” e “Ovelhas Negras”, Caio Fernando Abreu viveu seus últimos meses junto com os pais, exercendo a jardinagem e cuidando de flores.

Portador do vírus da Aids, morreu em 25 de fevereiro de 1996, em Porto Alegre. Na mesma data que outro expoente da literatura brasileira, Mário de Andrade, deixou este mundo.

Frases

Como forma de divulgar um pouco sua obra, seguem algumas frases de Caio Fernando Abreu:

- “Depois de todas as tempestades e naufrágios o que fica de mim e em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro”.

- “Todos os dias, logo cedo dou uma piscadinha para Deus e peço: tomara que nossas vontades coincidam. E se não coincidirem, que a Sua prevaleça”.

- “Minha meta, minha metade/Minha seta, minha saudade/Minha diva, meu divã/Minha manha, meu amanhã...” #vida