Os norte-americanos descobriram, nos anos de 1980, uma fórmula para #Cinema:

efeitos especiais no capricho + história fraca = #Filme

Ao que parece, essa fórmula tem, pelo menos para eles, se mostrado vantajosa, uma vez que vem sendo utilizada desde então.

Tempestade - Planeta em Fúria é o mais recente exemplo dessa combinação. Trata-se de um planeta Terra numa época (bem próxima de agora) em que, afetadas pelo homem, as condições climáticas se mostraram devastadoras, mas, por ser sempre superior e mais esperto, o homem conseguiu dominá-las. Um brilhante cientista norte-americano, com a ajuda de satélites e eficazes programas de computador, foi capaz de deixar o clima a contento da humanidade.

Controlado pelos homens a partir de uma Estação Espacial, os problemas climáticos foram resolvidos: chove apenas aonde e o quanto precisa, as temperaturas são sempre ideais, e por aí vai.

De repente, o impossível acontece: o sistema dá defeito. E a humanidade que se cuide; os satélites literalmente congelam ou aquecem demais os lugares da Terra, causando catástrofes sem precedentes. O brilhante cientista norte-americano ( Gerard Butler, de Deuses do Egito) é enviado à Estação Espacial para resolver o problema. E descobre uma trama que envolve sabotagem em alto escalão.

Dean Devlin (produtor de Independence Day: O Ressurgimento), em sua #estreia como diretor [VIDEO], até tentou fazer um suspense de conotação política envolvendo uma questão atual, mas o resultado foi a banalização em série: a interferência humana no clima, as consequências disso, a política envolvendo vários países, tudo adquire um tom corriqueiro em Tempestade - Planeta em Fúria.

Sobram mesmo os efeitos, bons como normalmente costumam ser em filmes catástrofes.

Mas, embora de primeira, cenas de prédios inteiros vindo abaixo remetem à perda de muitas vidas humanas, e é impossível não pensar que trata-se de um assunto sério para ser exibido em sequência e de maneira leviana - basta lembrarmos, por exemplo, do 11 de setembro e da queda das Torres Gêmeas. Ao olharmos por esse ângulo, a banalização do filme é lamentável.

E o suspense, embora tente ser atual, traz os mesmo clichês de sempre. Se, em épocas mais antigas a ciência assustava, e os filmes traziam um cientista louco interessado em dominar a humanidade, hoje em dia políticos assumiram esse papel. Um ou dois indivíduos, com motivos torpes podem, com apenas alguns cliques, desencadear eventos que visam dominar o mundo. É nesse ponto que a ficção caminha para a megalomania. Junte-se a isso a banalização citada acima e temos Tempestade - Planeta em Fúria, estreia da semana que, muito gentilmente, incluiu o Brasil na rota das catástrofes.

Para concluir, o filme abre e fecha com um discurso sobre a união dos homens e a paz mundial, na voz de uma criança. Não podia ser mais brega.

Com Gerard Butler, Jim Sturgess, Abbie Cornish, Ed Harris e Andy Garcia.