Apesar de ser reconhecido como um grande diretor, Stanley Kubrick sabia que o cinema era a soma de várias artes, o que lhe permitia aplicar seu conhecimento a todas elas: a obsessão pela literatura ajudava a aprimorar os roteiros; o amor pela música emergia na escolha das surpreendentes trilhas sonoras; os cenários acabam se transformando em complexos projetos arquitetônicos; o conhecimento sobre as artes visuais estava estampado na incrível fotografia de seus filmes. Nada mais adequado, portanto, do que dar um zoom e ver ganhar vida própria, fora das telas, cada um desses brilhantes detalhes da carreira de Kubrick.

Desde o início da carreira, como fotógrafo da revista Look, em 1945, aos 17 anos, Kubrick mostrou que era um mestre da imagem.

Anos depois, em 1968, o diretor revolucionou o cinema ao colocar as astronaves dançando no espaço ao som de uma valsa de Strauss.

Pois a orquestra Sinfônica de São Paulo retomou o conceito original de Kubrick e fez uma apresentação histórica no Teatro Municipal: tocou a trilha sonora de '2001: Uma Odisseia no Espaço' junto com a projeção do filme, como ocorria nos velhos tempos em que o cinema era mudo e não tinha som. Uma experiência incrível conduzida pelo maestro Roberto Minczuk que você pode conferir agora em 360 graus. O trecho escolhido é a introdução do filme, 'Assim Falou Zaratustra' (Also Sprach Zarathustra), de Richard Strauss, inspirado pela obra homônima do filósofo Friedrich Nietzsche.

A canção 'Assim Falou Zaratustra' é composta por uma sequência inicial que ficou bastante conhecida entre os fanáticos por cinema.

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Ela é inspirada pela obra de Nietzsche (de mesmo nome) que descreve o ser humano em três categorias. Essa também é uma das bases da própria trama do filme '2001: Uma Odisseia no Espaço'. Vamos lá:

Nietszche separa o ser humano em três categorias: 'pré-humano', ou seja, o trecho do filme em que Kubrick trata dos primatas (a sequência é chamada de 'Amanhecer do Homem' e corresponde aos primeiros vinte minutos de filme. Na canção, ela corresponde a primeira nota, bastante grave.

Depois temos o 'Homem' propriamente dito, que simplesmente desaparece do filme de Kubrick. Na música, corresponde ao tom médio da segunda nota. Kubrick decidiu cortar o homem porque a história seria mais conhecida e documentada. Então, no corte mais famoso da história do cinema, ele corta direto dos primatas pré-históricos para as naves no espaço sideral. A sequência, que todo mundo lembra, corta de um osso jogado para o ar direto para uma espaçonave.

Pois a última categoria de Nietzsche é o 'Super-Homem', representado no filme de Kubrick pelo vilão, o computador de inteligência artificial HAL 9000. Na música, corresponde a terceira nota.

Então vem algo que só existe na música: o 'tãn-tãn', as duas notas que terminam a sequência. Elas significam a revelação, que Kubrick usa também para mostrar a `Starchild' do final do filme, uma criança no espaço que reflete a humanidade voltando às suas origens.