Quando se pensa em samba, o primeiro lugar que vem à mente é o Rio de Janeiro. Dono de uma personalidade pulsante e alegre, é o ritmo preferido para os blocos carnavalescos e para associar uma imagem turística e cultural da “Cidade Maravilhosa”.

Nem tudo é só alegria, pois o choro, outro ritmo musical, tem como morada o Rio de Janeiro. De andamento mais cadenciado e lento, o choro vem conquistando as gerações através dos tempos e não perde seu encanto.

Com esse intuito, criou-se há dez anos uma roda de choro que se apresenta nos fins de semana na Praça São Salvador, localizada no bairro das Laranjeiras.

Deu tão certo, que a roda denominada “Arruma o Coreto” virou tema de projeto de lei municipal.

É que alguns vereadores e deputados querem transformá-la em patrimônio cultural do Rio (o estado).

Para os músicos do grupo, a expectativa está na permanência e na continuidade das atividades e apresentações que fazem na praça, uma vez aprovado o projeto no Poder Legislativo (seja a Câmara Municipal ou a Assembleia Legislativa).

Frequência e chamariz

Aos domingos, os músicos tocam os clássicos e as melodias mais conhecidas do choro, atraindo um público que pode chegar a trezentas pessoas. Muitos moradores nem saem de suas casas ou de seus apartamentos; preferem ouvir de seus terraços e varandas. As apresentações ocorrem no coreto da Praça São Salvador e duram, em média, 3 horas. Cerca de 30 instrumentistas se revezam para garantir o espetáculo todo fim de semana.

Com o tempo, chamou a atenção dos cariocas e, por conseguinte, atraiu a presença de ambulantes que vendem comidas e bebidas no local.

Saliente-se que a Praça São Salvador possui uma área equivalente a duas quadras de futebol de salão. Houve época de instalarem 120 barracas nas imediações, o que acarreta problemas na circulação e passagem do público no local.

Outra queixa vem dos próprios músicos que se sentem incomodados com o aperto de gente rodeando o grupo e com a segurança da praça. Segundo um deles, há vendedores que trazem botijão de gás para cozinhar. Na opinião dele, isso traz risco para todos. A concorrência entre os ambulantes é outro fator que contribui para esta sensação de insegurança (luta por espaço, garantia do melhor ponto de venda, produtos similares, etc.). Para isso, a prática do comércio deve ser melhor gerenciada, opina um musicista.

A situação ficou descontrolada mesmo quando houve uma tentativa da Guarda Municipal de proibir o concerto musical em pleno dia 23 de abril, data escolhida como o Dia Nacional do Choro, em homenagem ao compositor Pixinguinha. Foi preciso a intervenção de vereadores para que o evento acontecesse.

União para resolver problemas

Com a finalidade de que o choro não deve morrer, formou-se um grupo de trabalho composto por membros da prefeitura, moradores, ambulantes e músicos. Para assegurar a permanência da roda do choro, sugeriu-se a elaboração e a votação do projeto de lei determinando a criação do patrimônio imaterial acerca do grupo musical “Arruma o Coreto”.

Os vereadores entram em consenso de que a roda do choro é uma demonstração da ocupação sadia do espaço público, onde as pessoas interagem e convivem. Outro ponto importante reside na preservação da cultura musical do choro.

A prefeitura comunicou que organizará a feira comercial de maneira “que exageros que geram reclamações sejam coibidos”. Primeiramente, ela efetuará o recadastramento dos feirantes interessados em trabalhar na Praça São Salvador.

Como surgiu?

A ideia de fazer a roda de choro veio da musicista Ana Cláudia Caetano, moradora do bairro das Laranjeiras, observando a falta de pessoas na frequência da praça. Surgiu a ideia de tentar reverter esse quadro de ausência com a criação de grupo musical. Ela e mais sete músicos toparam para se reunir no coreto da praça. O nome da roda é uma alusão divertida ao bloco carnavalesco “Bagunça o Meu Coreto”, que sai às terças-feiras de #Carnaval e tem como ponto final a Praça São Salvador. #Música #Rio Cultura