Você já ouviu falar em Benedito Nunes? Sabe quem foi ele? De antemão, pode-se dizer que ele não é nenhum cantor famoso. Tão pouco, jogador de futebol. Também não é nenhum político ou candidato a presidente do Brasil nas eleições deste ano de 2018 [VIDEO]. Benedito José Viana da Costa Nunes é simplesmente o maior filósofo paraense de todos os tempos. Um filósofo de mão cheia. Que defendeu a Amazônia e o homem amazônico como nenhum outro intelectual da região.

Ele nasceu no ano de 1929 e faleceu em 2011, em Belém, sua terra natal. Benedito Nunes foi professor, crítico de arte e escritor brasileiro. Trabalhou por muitos anos nos Estados Unidos e Canadá, sendo mais conhecido fora do Brasil do que dentro do seu próprio país.

Foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, depois incorporada à Universidade Federal do Pará, e da Academia Brasileira de Filosofia.

Conhecedor profundo da língua alemã, Benedito Nunes tornou-se referência nacional na obra do filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976). Tem livros e ensaios publicados sobre o filósofo alemão. Sua formação intelectual não se resume apenas ao campo filosófico. Benedito Nunes escreveu sobre teatro, música e literatura. Em 2006, juntamente com o escritor amazonense Milton Hatoum, escreveu o livro Crônica de Duas Cidades: Belém e Manaus.

Realizou seus estudos de doutorado na Sorbonne, em Paris, tendo a honra de ser aluno de mestres como Merleau-Ponty e Paul Ricoeur. Talvez por influência da filosofia francesa, Benedito Nunes foi um ferrenho defensor do homem amazônico.

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Para ele, o homem amazônico é possuidor de uma gênese original de força, coragem e determinação; sempre capaz de criar o novo diante das adversidades da vida, principalmente da vida desprovida de recursos materiais. Ainda, segundo o filósofo, o homem amazônico reinventa constantemente a vida, na sua forma mais pura de ser: a ética.

A filosofia existencialista de Benedito Nunes aponta para o homem historicamente situado e portador da luta por direitos da coletividade. A dimensão da luta, como batalha pela sobrevivência contra a força bruta da natureza, eleva o homem amazônico à categoria de agente principal da história.

Nesse processo, segundo o filósofo paraense, o homem amazônico sempre escolhe lutar pelos interesses coletivos e nunca pelos interesses particulares. A ética da vida comunitária é a espada que transparece nas ações cotidianas do homem da floresta, dos rios e campos da Amazônia.

A questão da coletividade em Benedito Nunes não se resumiria, então, a uma questão de aritmética, em que a participação seria medida pela quantidade de pessoas envolvidas no processo, mas pela decisão consciente em lutar por interesses coletivos.

Dessa forma, Benedito Nunes se declarava um democrata convicto.

Para ele, o homem, enquanto sujeito da história, deve pertencer a um grupo ético. Para o filósofo, a família nuclear é o núcleo próprio de toda ação ética. A criança educada na ética será, consequentemente, um homem de ações éticas.

Para Benedito Nunes, a realidade só existe quando interpretada, e para interpretá-la o homem precisa da cultura científica. Somente pela ciência o homem é capaz de interpretar o mundo e dar sentido à realidade e a sua própria vida.

Daí a importância da educação para todos. Que todos possam formar uma consciência critica capaz de interpretar a realidade e ser sujeito de suas ações no mundo. Ou seja, somente pela ciência (educação) o homem amazônico se salva da pobreza, ou seja, das amarras do determinismo.

Por tudo isso, Benedito Nunes merece o título de o maior filósofo paraense de todos os tempos. Já que o grande público não conhece Benedito Nunes é preciso, enfim, que a comunidade acadêmica, principalmente os estudantes de filosofia, conheça mais sobre o seu trabalho, suas obras e se encarregue de divulgá-lo para o mundo, pois pensador como ele, jamais terá outro igual.