Estreou no último dia 15 de marco de 2018 o filme "Maria Madalena" (Mary Magdalene), dirigido por Garth Davis ("Lion - Uma Jornada para casa"), com Rooney Mara ("Carol") no papel-título e seu namorado Joaquin Phoenix como Jesus Cristo.

O filme pretende desconstruir a visão implementada pela homilia do papa Gregório Magno escrita no ano 591. Nessa pregação, Gregório chama Maria Madalena de "pecadora arrependida", uma ex-prostituta que clama pelo perdão do filho de Deus.

Uma versão igualitária e forte de Maria Madalena

O roteiro, escrito por Helen Edmundson e Philippa Goslett, quer mostrar que Maria Madalena, assim como os doze apóstolos bíblicos, era seguidora de Jesus por acreditar no que ele pregava. Ela desafiou o patriarcado da vila onde morava, não aceitando ser mais uma mulher subserviente e passiva como as demais. Por isso foi considerada uma espécie de bruxa e expulsa da vila de Magdala.

Essa visão feminista e emponderada de uma das figuras mais misteriosas e vilipendiadas da Bíblia (não à toa, o nome de Maria Madalena é sinônimo de prostituta em várias culturas) entra em sintonia com as recentes lutas das mulheres por igualdade de tratamento em todas as esferas da sociedade.

No ano passado, "Mulher Maravilha", filme de Patty Jenkins ("Monstro", que deu o Oscar de melhor atriz a Charlize Theron) provou que filmes protagonizados por mulheres fortes, decididas e independentes podem, sim, ser sucessos de bilheteria; o filme arrecadou US$ 821,9 milhões mundialmente.

Rooney Mara e a compreensão da personagem

Em entrevista dada à revista Veja, Rooney Mara destacou o quão importante é focar no ponto de vista desprivilegiado da mulher para que percebam a dificuldade em ser mulher: "Quando Jesus diz que o reino de Deus está dentro de cada um e que todo o mundo tem acesso a ele, basta querer, Maria Madalena entende de imediato porque vem de uma posição marginalizada, enquanto os outros discípulos, não.

Eles não têm essa experiência."

Joaquin Phoenix: "Não se trata de ficar zen"

Já Joaquin Phoenix, no papel de Jesus, disse ao jornal Metro sobre acreditar que o reino dos céus, que muitos cristãos veem como algo a ser conquistado graças a uma escolha peremptória de quem "manda", pode ser encontrado nas boas atitudes de cada um. "A verdade é que a cada momento de cada dia se tem a oportunidade. Ser iluminado é estar disposto a trabalhar na sua vida e tentar ser a pessoa mais amável e atenciosa possível.

Não se trata de ficar zen e daí você consegue flutuar."

Afinal, "Maria Madalena" é um filme feminista?

"Maria Madalena" não pode fugir do rótulo de "filme feminista", e pode parecer até mesmo panfletário para muitos. Contudo, o lugar de voz desse personagem precisa ser preenchido por ela mesma, e discursos e atos com teor político, mesmo que inconscientes, são de certa forma inevitáveis. Isso ficará claro nos embates intelectuais entre o discípulo Pedro, interpretado por Chiwetel Ejiofor ("Doutor Estranho"), Jesus e, claro, Maria Madalena.

"Maria Madalena" é uma produção Universal.

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