Para muitos paulistanos, o dia 26 de março de 1968 foi o fatídico dia em que o bonde saía definitivamente de circulação das ruas da cidade.

Símbolo de modernidade de várias capitais mundiais, o bonde sucumbiu ao crescente número da população e à competição com outros meios de Transporte que prometiam diminuir o tempo de deslocamento.

Mas, basicamente, sua extinção estava mais ligada à política progressista do prefeito da época, Prestes Maia. Segundo ele, numa cidade em plena expansão não caberia a preservação do transporte feito sobre trilhos nas principais vias paulistanas.

Era um sinal lacônico e triste para quem teve orgulho de ver 700 km de trilhos assentados por ruas, avenidas e alamedas que interligavam diversos bairros de São Paulo.

Ademais, Prestes Maia dizia que o transporte era custoso e estava ficando muito ineficiente. A cidade crescia, crescia e crescia sem parar. E mais pontos contrários para a manutenção do bonde vieram à tona: acidentes de trânsito, panes elétricas, veículos velhos e sem manutenção, início dos congestionamentos.

Em vez de tomar uma medida radical, Prestes Maia foi retirando o bonde de circulação aos poucos.

Tal procedimento tinha também outro viés: o prefeito queria implantar o sistema de ônibus coletivos; no entanto, ele sabia que não dispunha de condições mínimas para colocá-lo em prática.

Tiro de misericórdia

Mesmo pregando o fim do transporte por bondes, não coube a Prestes Maia acabá-lo. Foi com seu sucessor na Prefeitura, Faria Lima, que o bonde saiu das ruas para não nunca mais ser visto ou utilizado.

Na época, Faria Lima se elegeu compromissado com a criação e implantação do Metrô paulistano. Entre a extinção do bonde e a fundação da Companhia do Metropolitano, houve somente o espaço de um mês. Um fato curioso.

Último dia: comoção

Coube ao motorneiro (motorista do bonde) Francisco Lourenço Ferreira fazer a última viagem de bonde por São Paulo. Escolhido a dedo por ser o mais antigo de todos os profissionais, Francisco teve a difícil tarefa de conduzir o bonde.

Era a linha de número 101 que ligava o Instituto Biológico (na Vila Mariana) até o Largo 13 de Maio, no bairro de Santo Amaro.

O veículo foi ornado com luzes, bandeiras do Brasil e do estado de São Paulo. Os carros que circundavam o queridinho bonde traziam mensagens como: “A viagem do adeus”.

Políticos e população não queriam perder o acontecimento, embora por motivos diversos. Deputados, vereadores e o próprio prefeito Faria Lima lotaram o primeiro bonde naquele dia de março de 1968.

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Logo atrás, seguia um outro bonde, dentro do qual uma banda tocava marchas e valsas. No caminho percorrido pelas Avenidas Ibirapuera, Ver. José Diniz e Adolfo Pinheiro perfilava uma população que, de acordo com relatos da época, chorava.

Será possível sua volta?

Segundo urbanistas que pesquisam o tema de transporte por bondes, há condições e possibilidades para que o simpático e romântico “trenzinho” volte a circular.

Um urbanista aponta a região servida pelas Avenidas Celso Garcia e Rangel Pestana como corredores viáveis, já que parte de seu entorno está de portas fechadas ou ocioso. Ele apenas acrescenta que é preciso expandir uma visão mais urbanística, no qual os bondes façam parte interligada a projetos como o sistema do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), auxiliando na revitalização da região citada.

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