Nem sempre o ser humano explorou a natureza para suprir suas necessidades materiais. Na antiguidade, por exemplo, o ser humano era um com os outros na natureza, ou seja, o ser humano tirava do meio ambiente apenas o suficiente para sobreviver. Obviamente, não existia ainda a ideia de excedente. Foi com o surgimento do consumismo, ocorrido no momento de grande expansão do capitalismo, desencadeado pela dupla revolução – a industrial e a francesa – que o ser humano se distanciou da natureza.

O triunfo da indústria capitalista desencadeou uma crescente industrialização e urbanização, o que provocou radicais modificações nas condições de existência e nas formas habituais de vida de milhões de seres humanos.

Dessa forma, o ser humano investiu todo o seu capital intelectual para explorar à natureza, e conseguiu. Logo a natureza deixou de ser "sagrada" e tornou-se fonte principal de exploração humana.

Nesse processo egocêntrico, o homem contemporâneo explora a natureza apenas para demostrar sua capacidade de destruição, seu poder sobre o mundo do muito pequeno. Os seres microbiológicos, a vida aquática e terrestre são as mais ameaçadas. As comunidade ribeirinhas, os povos indígenas, enfim, as minorias étnicas também sofrem pelo processo destruidor e egocêntrico do homem contemporâneo.

Dessa forma, o ser humano se distância cada vez mais da natureza, mesmo construindo todo tipo de tecnologia, pois ele acreditando ser o conhecimento científico superior as outras formas de saberes. No entanto, pelas inúmeras formas de destruição da vida, colocadas em prática nos últimos anos, constata-se que o conhecimento não precisa ser científico. É preciso dizer que existem outras formas de conhecimento menos agressivos à natureza, como por exemplo, o tradicional, o místico, o religioso ou até mesmo a simples beleza do inesperado.

O ser humano precisa voltar enxergar à natureza como parte integrante de si mesmo e não como outro, independente e equidistante de si mesmo sob pena de extermínio da própria espécie. Isto é fundamental para a continuação e interação do homem com a sociedade atual e com as futuras gerações. E o que levou esse processo de separação entre o homem e a natureza? Para os historiadores foi o Iluminismo. E o que foi o Iluminismo?

O Iluminismo foi o movimento intelectual que surgiu nos países europeus no século 18 defendendo o uso da razão em detrimento ao senso comum, e pregava maior liberdade econômica, religiosa e política.

Dessa forma, o Iluminismo promoveu mudanças políticas, econômicas e sociais, baseadas nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Assim, as transformações econômicas que o ocidente europeu presenciou desde o século 16, provocaram modificações na forma de conhecer a natureza e a cultura. A partir daí, o pensamento humano deixou de ter uma visão sobrenatural para a explicação dos fatos da natureza e passou a ser substituído pelo uso da razão.

O emprego sistemático da razão liberou toda forma de exploração humana. A natureza foi a mais afetada. Novas maneiras de viver foram desenvolvidas, tendo como característica principal o consumismo. Nesse processo, a natureza e a cultura tornaram-se produtos. Enquanto produtos, devem ser explorados ao máximo, tudo para atender o gosto do cliente. Nem mesmo o aparecimento de novos conhecimentos contribuíram para a diminuição do embate entre homem-natureza. Pelo contrário, quanto mais o homem conhece novos mundos, mais ele pensa em explorá-los. Todos esses novos conhecimentos vão defender o progresso do homem sobre à natureza.

A vida humana ganha contornos de super-máquina.

Todas essas transformações propuseram ao homem contemporâneo a arrogância como característica principal. Além da indiferença, de um conjunto de processos intelectuais flutuantes e indeterminados, mudanças na forma de encarar o Trabalho, a história, o outro, a cultura, o homem contemporânea é feito um pavão com plumas faltando e sem espelhos para se enxergar. Contrapondo-se a essa visão maniqueísta do homem contemporâneo, o ditado budista é um tapa na cara de quem pensa à natureza como fonte exclusiva de riqueza humana: "Não é mais rico quem tem mais, mas quem precisa menos".

À humildade, à simplicidade, à doçura devem ser valores defendidos por todos como forma de retorno do homem contemporâneo à natureza. A natureza como matéria viva, fonte de vida, deve ser sempre entendida e encarada como ente sagrado; fonte de riqueza espiritual, como fizeram os antigos, pois a natureza dá somente quando recebe. Enfim, somente quando aprendemos a viver com pouco e aceitando tudo que a vida nos oferece no momento, poderemos alcançar uma vida mais equilibrada, reduzir a tensão e stress do dia-a-dia e sermos felizes!

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