O documentário Niima, dirigido pela cineasta Flávia Abtibol, irá trazer um retrato da vida de travestis da etnia Tikuna. Com financiamento selecionado pelo projeto Itaú Cultural Rumos nos anos de 2017 e 2018, o filme ainda está em fase de produção do roteiro e será filmado em Tabatinga, região localizada na fronteira entre o Brasil, a Colômbia e a Bolívia. A previsão de lançamento é para o fim de 2019.

"Niima" é o termo usado para se referir a travestis e transformistas indígenas pertencentes à etnia Tikuna.

Elas costumam se apresentar durante as festividades religiosas locais, cantando e dançando, mas fora do período de junho e julho, quando se dão as celebrações, são alvo de discriminação tanto pela família quanto pela comunidade em que vivem.

Segundo Flávia Abtibol, a recente popularização da cultura drag e o acesso às redes sociais fez com que muitos jovens LGBTs indígenas decidissem falar sobre suas sexualidades e identidades de gênero mais abertamente, procurando dar visibilidade a uma pauta que costuma ser ignorada pelo próprio movimento indígena.

Além disso, essas pessoas puderam encontrar na internet figuras com as quais se identificar e nas quais se espelhar, inspirando-se também em diferentes ativismos para elaborarem seus próprios discursos, ainda em construção.

Embora ainda não exista uma visão totalmente formada sobre questões de gênero e sexualidade entre a maioria dos indígenas, além de os costumes variarem de uma etnia para outra, o preconceito e a heteronormatividade estão presentes na realidade de muitas comunidades, como Abtibol notou nos textos escritos por algumas niima em suas páginas do Facebook.

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O desejo por estabelecer diálogos e por se fazer ouvir para além de suas aldeias é um ponto em comum entre esses jovens que decidem "sair do armário".

Em entrevista à página Amazonia.org.br, a cineasta disse que não chegou a presenciar nenhuma violência explícita nas aldeias em que esteve, mas que está ciente de práticas de agressão e de punição a quem se revela homossexual, por exemplo, daí a necessidade, por parte dos jovens, de se unirem em grupos e estabelecerem redes de contato entre eles por todo o país.

Acreditando na força do cinema como instrumento de linguagem e de comunicação social, esse foi um dos motivos que levou Abtibol a desenvolver a proposta de seu documentário, para acompanhar parte desse novo processo de autoafirmação facilitado pela internet e dar voz a homossexuais e travestis ainda invisibilizados - tanto no âmbito LGBT como no âmbito indígena.

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