O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aproveitou uma reunião ocorrida no Forte de Copacabana (cidade do Rio de Janeiro) para tomar uma das decisões mais importantes para a cultura e para os habitantes do Brasil.

A reunião da última quarta-feira (19/09) determinou que a popular e bem conhecida Literatura de cordel virasse, a partir desta data, patrimônio imaterial nacional.

Muito disseminada nas regiões Norte e Nordeste, o cordel se popularizou pelos quatro cantos do país com a migração interna dos nordestinos no século XX para outras regiões como o Sudeste.

Na definição do Ministério da Cultura, a literatura de cordel “é um gênero literário, veículo de comunicação, ofício e meio de sobrevivência para inúmeros cidadãos brasileiros: poetas, declamadores, editores, ilustradores (como desenhistas e xilogravadores) e folheteiros (como são conhecidos os que vendem esse tipo de expressão escrita).”

É bom observar que o referido Conselho pertence ao Instituto de Patrimônio Artístico e Histórico Nacional, o IPHAN, o órgão máximo do Brasil no que se refere à conservação de lugares e manifestações culturais e artísticas.

Popularidade e preocupação

Atualmente, a força e o gosto pelo cordel é quase imbatível na maioria do estados nordestinos, com exceção do Piauí. No entanto, encontrou receptividade em outros estados brasileiros como Pará, Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro.

Com o advento das novas tecnologias (leia-se a Internet e outras formas de comunicação rápida), alguns fãs ou praticantes em escrever cordel se perguntam até quando durará a tradição oral e escrita desse tipo de poesia popular.

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Um senhor mineiro com mais de 70 anos relata que foi essa literatura que o ajudou a ficar atualizado com as notícias que ocorriam em sua época. Foi com ela que descobriu fatos históricos, como por exemplo, a existência do imperador europeu Carlos Magno, cantado por cordelistas.

Seu maior incentivo veio do próprio que, apesar de ser analfabeto, pedia para o filho ler e se atualizar sempre. Tomou gosto por isso e o passo seguinte foi a consolidação de uma carreira que se enveredou rumo à palavra.

Assim se passaram quase 60 anos de experiência. Quando soube da decisão do IPHAN, ficou emocionado.

Já para outro cordelista carioca, o gênero funcionou como um grande folhetim para as áreas mais difíceis e isoladas do interior do Nordeste brasileiro. Não existiam jornais impressos. Muito menos televisão e rádio. O cordel assumiu o papel destes meios de comunicação, tornando-se um instrumento valioso de entretenimento, de informação e de alfabetização daqueles que não possuíam uma escola por perto para estudar.

Como toda forma de expressão, a literatura de cordel teve que se adaptar com o passar das décadas. Antes focada nos feitos e personagens históricos, os escritores buscam temas políticos para manter basicamente a função informativa para o povo.

Talvez o maior ponto de interrogação acerca da sobrevivência do cordel surja quanto a sua perenidade frente aos aparelhos como ‘smartphones’ e similares. Na opinião de alguns, os autores buscam publicar cordéis em suas páginas e portais de acesso na Internet, bem como vídeos de declamação, mantendo, assim o seu alcance de massa.

A única coisa que não se deve mexer – até porque isso descaracterizaria um cordel – seria buscar alterações na sua estrutura poética.

Porém, outros mais saudosos falam que foi exatamente a literatura de cordel que transmitiu de maneira mais personalizada feitos como a descida do homem na Lua. Hoje, com tantos meios para se inteirar das atualidades, alguns acham que o cordel perde um pouco seu sentido.

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