Tão importante quanto Oscar Niemeyer, o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, embora seja menos conhecido que o célebre companheiro de profissão que projetou Brasília, tem agora uma exposição todinha sua em pleno centro financeiro de São Paulo.

O início do parágrafo anterior pode ser chocante para muitos, mas Paulo Mendes é sim um dos grandes arquitetos brasileiros, devido aos prêmios que ganhou durante sua carreira profissional.

Se levarmos em consideração a quantidade de reconhecimentos, Paulo ultrapassa Oscar Niemeyer.

Talvez isto tenha despertado o desejo de reunir maquetes, desenhos, projetos, croquis e outros documentos que marcam a obra arquitetônica e o exercício criativo deste capixaba de 90 anos que ainda continua trabalhando, apesar da idade.

Para os apaixonados ou estudantes de arquitetura, caracteriza-se uma oportunidade oferecida pelo Instituto Cultural Itaú em abrigar o acervo até o dia 4 de novembro de 2018.

Batizado como Programa Ocupação, a exposição mostra trabalhos inéditos de Paulo Mendes da Rocha, o que dentro do universo arquitetônico significa dizer que nunca saíram do papel. São 11 trabalhos com cunho mais experimental.

O tema principal que permeia a mostra está voltado para as águas, elemento natural que frequentemente está presente nos projetos de Paulo Mendes da Rocha. Sob a sua caneta, ele concebe um imaginário dos rios e mares. Inclusive, chegou a conceber um projeto fluvial para a América Latina.

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Curiosidades Natureza

Currículo de peso

Oriundo do movimento chamado “Escola Paulista”, o qual valoriza a técnica, o uso do concreto armado e a mostra da estrutura, Mendes da Rocha possui vários monumentos e construções espalhados em São Paulo como o Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia (MuBE), o Clube Athlético Paulistano, o Sesc 24 de Maio e a Praça do Patriarca. Também coordenou as reformas do Museu da Língua Portuguesa, do Centro Cultural Fiesp e da Pinacoteca de São Paulo.

Fora da “terra da garoa”, seu trabalho mais conhecido é o estádio Serra Dourada, em Goiânia.

Foi o vencedor do Prêmio Pritzker em 2006, um equivalente ao Nobel na área de arquitetura, e do Leão de Ouro da Bienal de Veneza, Itália.

Capixaba de Vitória, veio para São Paulo ainda jovem onde estudou e deu aulas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

Ligação com a água

O mote da exposição, que tem a ver com a água, possui explicações familiares e ancestrais para o homenageado; o avô dirigiu o Serviço de Navegação do Rio São Francisco e o pai foi engenheiro e professor de Engenharia Naval e de Recursos Hídricos na Escola Politécnica da USP.

Segundo o próprio Paulo Mendes da Rocha, a partir dessa raiz, ele acredita na capacidade do homem de intervir na Natureza de forma mais criteriosa.

Perguntado sobre a cidade que adotou para morar, São Paulo, o arquiteto responde que ela é uma sucessão de erros instigantes, mas que podem gerar construções imbecilizadas, como os arranha-céus espalhados pela capital paulista; mais adiante, emenda a frase, opinando que a velocidade da especulação imobiliária é uma das causas para a formulação de seu pensamento sobre São Paulo.

Em relação ao espaço, importante componente da arquitetura, o capixaba conceitua de maneira eminentemente pública. Não acredita em espaço privado. E complementa que o espaço da cidade foi feito para desfrutar da possibilidade de conversar e não para dar lucro. “Já imaginou o homem solitário?” pergunta.

Informações sobre a exposição

É possível visitar a mostra até o dia 4 de novembro de 2018 nos seguintes horários e dias:

De terça a sexta-feira: das 9 h às 20 h.

Sábados e domingos: das 11 h às 20 h.

Local: Instituto Cultural Itaú – Av. Paulista, 149 – próximo à estação Brigadeiro do metrô

Informações: (11) 2168-1777

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