Uma das edificações mais controvertidas e conhecidas de São Paulo assoprou suas velinhas [VIDEO] de 50 anos na última quarta-feira, dia 07/11/18.

Imponente e ultramoderno, o prédio concebido por Lina Bo Bardi desafia os princípios de gravidade com um vão livre 74 metros quadrados e é sustentado por quatro pilastras localizadas nas extremidades do prédio.

A relevância do Masp para os paulistas não se deve somente pelo fato de abrigar o acervo mais importante situado abaixo da linha do Equador.

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Também é um ponto de encontro para as mais variadas finalidades: compra de antiguidades, manifestações populares e apresentações teatrais e musicais. Sendo assim, transformou-se num espaço democrático.

Dentro dele, há um conjunto de 10 mil peças e objetos vindos de todos os continentes do mundo.

Voltando no tempo

O projeto do Masp começou a sair do papel em 1958 e demorou cerca de dez anos para ser concluído. No efervescente ano de 1968, ele foi inaugurado com a presença ilustre da Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, para descerrar a pedra fundamental. Literalmente uma pedra que mais parece um monólito, onde se pode ler, mesmo que de forma apagada, os dizeres da inauguração inscritos em sua superfície.

Recuando um pouco mais no tempo: enquanto a sede definitiva não ficava pronta, o que seria o princípio do Museu de Arte de São Paulo tinha como base [VIDEO]a Rua Sete de Abril, no centro de São Paulo. Isso foi em 1947; portanto, o Masp, é um pouquinho mais antigo. O local é o mesmo onde funcionavam os “Diários Associados”, empresa de propriedade do jornalista e mecenas Assis Chateaubriand.

Aliás, ele seria o idealizador do Masp, obtendo um auxílio contundente do casal italiano Pietro Maria Bardi (crítico e jornalista) e Lina Bo Bardi (arquiteta).

Dentro das quatro paredes

Quem passa ao longo da Avenida Paulista e se encanta com a arquitetura ousada do Masp, não sabe que em seu interior, Lina Bo Bardi foi mais longe e colocou em prática a ideia dos cavaletes de vidro, dando a impressão de que a obra/quadro está suspenso no ar. Através dos anos, a concepção da arquiteta ganhou algumas adaptações e admiração por parte de outros museus do mundo. Vários deles apreciam a proposta dos cavaletes de vidro e gostariam de implantá-la em seus acervos pictóricos.

Em sintonia com as inovações – porém sem a autoria de Lina – o Masp quer instalar persianas automáticas para serem abertas durante o período da tarde. A entrada de luz daria um ar mais renovado e cálido para o segundo andar. Outra vantagem é que suas aberturas deixariam o público extasiado no momento em que se poderia visualizar o Parque Trianon, localizado do outro lado da Avenida Paulista e cartão postal de São Paulo.

Uma emoção dupla.

Mas será que chegando aos cinquenta anos, o Masp está bem de “saúde”? Com certeza, sim. Suas estruturas estão em ótimo estado de conservação e não há que temer preocupações quanto à solidez e à segurança. Quem garante isso é a Fundação Getty, dedicada a pesquisas e conservação de patrimônio de edificações modernas.

Curiosidades

O casal Bardi chegou ao Brasil logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1947 e, segundo consta, o projeto do Masp foi feito em apenas 11 meses. A dobradinha italiana encontrou no poderoso Assis Chateaubriand a pessoa perfeita para financiar e subsidiar suas ideias. Posteriormente, o Museu de Arte de São Paulo foi palco da fundação da primeira Escola de design do Brasil. Como consequência, foi aí que ocorreu o primeiro desfile de Moda em terras brasileiras.

Outro dado interessante refere-se às vigas de sustentação do prédio: inicialmente elas eram acinzentadas, com o concreto exposto. Ao longo do tempo, houve ocorrências de infiltrações e goteiras que atingiram alguns setores internos, já que o conteúdo das vigas é oco. Para solucionar a questão, achou-se melhor impermeabilizá-las.

Consultada, Lina sempre “bateu na tecla” de que as vigas deveriam ser vermelhas. Desconfiados, os arquitetos responsáveis relutaram em atender Lina. Tudo se dissipou quando a própria arquiteta tirou da gaveta o desenho original com as vigas na cor vermelha. A partir de 1989, o Masp ficou mais colorido e do jeito que conhecemos até hoje.