Escondido por entre as cadeias montanhosas mais altas do mundo e de nome um tanto esquisito, o Butão é uma caixinha de surpresas. De boas surpresas.

Situado entre dois gigantes territoriais, Índia e China, o Butão tem muito a ensinar para qualquer país do mundo. Especialmente para os países ocidentais.

Com área menor do que o estado do Rio de Janeiro, essa nação asiática permaneceu distante e isolada do resto do mundo por muitos séculos.

Somente a partir da segunda metade do século XX, esse pequeno país do Himalaia (que, em sânscrito significa “morada das neves”) decidiu se apresentar e sair da discrição. O isolamento se transformou em uma vantagem para os habitantes, preservando seus costumes, sua cultura e suas tradições.

Há pouco mais de 60 anos, o Butão estabeleceu maior contato com outros países até que, em 1974, um rei jovem e cheio de ideias ocupou o trono e, a partir de então, ele queria fazer algumas mudanças.

Uma de suas premissas era de converter o seu país num lugar cheio de harmonia e de boa convivência entre as pessoas, onde não existissem guerras e nem derramamento de sangue, sem exagero de consumismo e que a relação com a natureza, bem como sua preservação, fosse uma prioridade.

Bem, o que parecia utopia, delírio, transformou-se em realidade: o rei, que tinha apenas 18 anos quando se lançou nesse desafio, casou-se; e tanto ele quanto sua esposa moram até hoje em uma casa pequena, dispensando a habitação do palácio real.

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Política

Mas o atingimento de seu objetivo não parou por aí, pois ele decidiu acabar com o poder absoluto que o cargo lhe oferecia e estendeu seus poderes a outros, mudando a concepção de uma Monarquia centralizada para uma Monarquia Constitucional. Instituiu o acesso ao voto pelo povo. É ele quem decide a eleição do primeiro-ministro.

O Butão não esqueceu da natureza e, por meio de leis rigorosas, preserva e protege cerca de 60% das áreas florestais, impedindo o avanço do desmatamentos e da ação humana descontrolada.

A água, o solo e o ar que se respira são considerados puros: não há registro de poluição nesses três elementos naturais.

Esse país também proibiu a matança e a caça de animais; a população se alimenta de frutas, verduras e legumes plantados e cultivados de forma sustentável. Não se permite a importação de agrotóxicos, o que ocasiona uma alimentação saudável e limpa.

Os detalhes mais importantes que fazem qualquer nação ocidental morrer de inveja é de que no Butão não há fome, não há miséria e não há violência.

A religião mais praticada pelos butaneses é o budismo, o qual se caracteriza pelos seguintes preceitos: o respeito, a reciprocidade, a prática do bem e o viver bem.

Boa parte do povo vive do campo, trabalhando em atividades agrícolas e sua energia é produzida por hidrelétricas, garantindo a luz para os 770.000 habitantes desse minúsculo país. O excesso de energia elétrica é vendido para a vizinha Índia e outra fonte de renda para o Butão é o turismo.

Embora tímido, tanto o turismo quanto o alpinismo são monitorados pelo governo a fim de evitar impactos no meio ambiente.

Nos últimos anos, o Butão ganhou fama porque substituiu o índice de riqueza e prosperidade econômica, PIB (Produto Interno Bruto), pelo índice de Felicidade. Agora, especialistas e estudiosos se debruçam nas leituras e nas idas ao Butão para entender quais são os itens que compõe o índice de felicidade e de que forma podem implantá-lo pelo resto do mundo.

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