Raul Santos Seixas nasceu em Salvador, na Bahia, no dia 28 de junho de 1945. Os pais conservadores não sabiam que aquele garoto abusado, que enforcava aulas para ouvir discos de Elvis Presley [VIDEO], em breve se tornaria o maior expoente do rock no Brasil.

O garoto era o terceiro Raul da família. Seu avô era o Raulzão, seu pai o Raulzinho e ele virou Raulzito, apelido que levaria como nome artístico em seus primeiros anos de cantor. Sua primeira banda veio ainda aos 12 anos, se chamava Relâmpagos do Rock. Conforme as formações da banda foram se alterando, o nome dela também foi mudando chegando à clássica The Panters, nome que se aportuguesaria para Os Panteras.

A banda, que fazia enorme sucesso na Bahia tocando clássicos de Elvis Presley, Chuck Berry, Jerry Lee e Beatles, chegou a tocar com grandes astros da jovem guarda. Um desses astros era Jerry Adriani, que levou os garotos para o Rio de Janeiro, onde a banda gravaria em 1968 seu primeiro e único disco: ‘’Raulzito e Os Panteras’’.

O disco foi um verdadeiro fracasso comercial e, enquanto o restante da banda voltou para Salvador, Raul continuou no Rio de Janeiro, chegando a passar fome por falta de recursos financeiros, como descreveria na Música ‘’Ouro de Tolo’’, alguns anos mais tarde. Sem chances na Cidade Maravilhosa, o artista também voltou para Bahia, onde enfrentou um princípio de depressão, que o deixava passar dias inteiros em seu quarto lendo livros de filosofia.

Jerry Adriani voltaria a abrir portas ao amigo, dessa vez lhe indicando a Evandro Ribeiro, que na época era o presidente da CBS Discos.

Raul voltaria ao Rio e pisaria novamente em uma gravadora, mas não como artista e sim como produtor.

O roqueiro produziria discos de inúmeros artista da CBS, como o próprio Jerry Adriani, Diana, Renato e seus Blue Caps e a dupla Leno e Lilian. Nesse período, Raul despertou de vez seu lado compositor e fez mais de 80 músicas para os artistas da gravadora, incluindo grandes sucessos como "Doce, Doce Amor" feita para seu amigo Jerry.

Sem a permissão da gravadora, Raul lançou um novo disco feito ao lado do amigo Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada. O disco também não venderia nada e o baiano ficaria sem o emprego. Porém, tudo mudou em 1972, quando Raulzito se inscreveu no Festival Internacional da Canção, chegando a final do festival com a música ‘’Let Me Sing, Let Me Sing’’, ganhando, assim, um contrato com a gravadora Philips.

Raulzito se tornaria Raul Seixas em 1973, com o seu primeiro disco solo ‘’Krig-Ha Bandolo!’’. O disco é uma das maiores obras da música nacional, com as clássicas "Ouro de Tolo", "Metamorfose Ambulante", "Al Capone", "Mosca na Sopa" e "As Minas do Rei Salomão".

‘’Krig-Ha’’ marca também o início da parceria com o escritor Paulo Coelho. Parceria que durou por quatro anos, sendo uma das mais bem-sucedidas da música brasileira.

Após o ótimo disco de estreia, seria difícil pensar em um segundo tão bom quanto o primeiro, mas ‘’Gita’’ foi ainda melhor, consolidando de vez a carreira daquele que seria considerado o pai do rock nacional.

Após o início avassalador, Raul Seixas teria uma carreira cheia de altos e baixos. Em 1977, lançou a música que seria sua autobiografia, lhe dando o eterno apelido de ‘’Maluco Beleza’’. Os excessos do cantor envolvendo álcool e drogas reforçavam a alcunha de maluco.

A década de 1980 foi difícil para o artista, que cada vez mais se entregava ao alcoolismo. Mas mesmo nesse período terrível de sua vida pessoal, o cantor presenteava seus fãs com grandes clássicos, como "Cowboy Fora da Lei", de 1987.

Infelizmente, Raul Santos Seixas faleceu no dia 21 de agosto de 1989, vítima de uma pancreatite agravada por seu alcoolismo. Veja aqui a última foto de Raul Seixas. [VIDEO] Mas seu legado continua mais vivo do que nunca. Raul é sempre lembrado por inúmeros outros artistas, seja em shows ou novas regravações, e seus fãs se multiplicam ano após ano, levando uma verdadeira multidão de pessoas ao Centro de São Paulo em todo 21 de agosto em uma passeata que homenageia o cantor. Vinte e oito anos se passaram desde a morte do artista, mas a obra de Raul Seixas se prova eterna a cada dia.